Oi, tudo bem com vocês? Espero que sim. Voltei mais uma vez com outra matéria especial para o mês do orgulho LGBTQI+. Desta vez, irei abordar um assunto espinhoso e polêmico para esse segmento, me refiro ao desprezível método científico denominado “Cura Gay”.

Antes de comentar sobre o referido termo, preciso contextualizar a mentalidade do segmento intelectual e senso comum do século passado.

Durante o século XX, a homossexualidade foi considerada uma doença  mental e, para os “infectados”, existia um tratamento a fim de curar o paciente, a “terapia de conversão sexual”. Por efeito de curiosidade, antigamente, não se dizia “homossexualidade”, o que hoje usamos para se referir a orientação sexual de alguém, mas sim, “homosexualismo”, o sufixo -ismo, proveniente do grego designa tipos de patologias, como raquitismo, daltonismo, albinismo entre outras demais.

Toda essa história foi modificada no ano de 1990, em especial, no dia 17 de maio, quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) retirou da categoria de enfermidades a homoafetividade. Portanto, hoje, segundo a ciência, ser gay não é sinônimo de estar doente. Ainda sim, é válido lembrar que o Brasil, cinco anos antes, por meio do Conselho Federal de Psicologia já havia deixado de considerar a preferência sexual como uma subversão.

Pausa para comentários

Não sei o que você, leitor, está pensando neste momento, para ser sincero, gostaria que compartilhasse o seu pensamento comigo nos comentários… Agora, a minha opinião a respeito disso, não sei dizer com clareza, mas com certeza expressa indignação, pois foi algo real, isto é, ATÉ 1990, se você gostasse de alguém do mesmo sexo, você seria considerado doente mental, eu só penso naqueles que viveram naquele período, que martírio! Além de enfrentar os dilemas pessoais para aceitar a si próprio, ter forças para se assumir, se fosse o caso, para os familiares e amigos e ainda ter que enfrentar toda a sociedade e ser encarado como um enfermo? Desculpem, é demais para mim. E a parte mais delicada, mas passível de discussão é o fato de que ainda há países com culturas ultraconservadoras que consideram a homossexualidade um crime, lamentável.

Nesse contexto, gostaria de indicar algumas obras que abordam essa temática, a “cura” gay.

Orações para Bobby

Cartaz do Filme.

A obra foi baseada em fatos reais e, por isso, após a comoção e reconhecimento nos Estados Unidos, foi possível torná-la em filme e livro. Em síntese, ambos narram a história de Bobby, um jovem que se descobre gay, mas que devido aos ensinamentos religiosos de sua família, principalmente, devido à figura materna inicia os seus conflitos em obter aceitação. Sua mãe, Mary, crescera em um local predominantemente marcado pelo ensino da moral cristã e, portanto, conservadora, a saber acreditava que quem não seguisse os preceitos das escrituras sagradas iria para o inferno. Irei para por aqui, por efeito de spoiler, mas recomendo que se você optar por assisti-lo, esteja preparado emocionalmente e leve um lenço. O filme dublado está disponível no YouTube, deixarei o link no fim da matéria.

Boy Erased – Uma verdade anulada  

Garrard Conley, autor da obra “Boy Erased, uma verdade anulada”.

Outra metragem parecida com a primeira é o caso de Boy Erased, de Garrard Conley. Salvo as diferenças, este livro tange mais próximo daquela nossa conversa no início do texto, o tema da “Cura Gay”. Resumidamente, conta a história do próprio autor, poderíamos dizer que se trata de uma biografia? Enfim, o livro/filme retrata as peripécias do jovem em encontrar a sua identidade, tendo início com um incidente em um acampamento quando fora estuprado por um colega da igreja e o mesmo conta para os pais da vítima que é gay. A partir daí, Conley e sua família passam por abalos que culmina na ideia dos pais, religiosos fervorosos, em enviá-lo para a “terapia de conversão sexual”, então, durante a narrativa descobrimos as transformações do autor, os sentimentos etc. Mas já adianto que é evidente que a terapia não funcionou porque não há cura para o que não é doença, não é mesmo?

Brasil

Gostaria de fazer algumas ressalvas para o Brasil, acredito não ser novidade para você que somos o país que mais mata LGBT no mundo segundo dados da ONG Transgender Europe (TGEU). Esse ódio todo contra a população arco-íris é injustificável, aqui, gostaria de uma opinião sua, leitor, porque não faz sentido, pelo menos não para mim em matar alguém porque ele é gay, trans ou bissexual. Qual o problema nisso? Qual a dificuldade em aceitar a diversidade? Acho que neste momento é cabível a citação de um trecho de uma música da cantora, atriz e ativista social pelos direitos da comunidade negra e LGBT, Linn da Quebrada, que destruiu o estereótipo da transexualidade. Confira abaixo um trecho da canção “Submissa do 7° Dia”:

Estou procurando

Estou procurando

Estou procurando

Estou tentando entender

O que é que tem em mim, que tanto incomoda você?

Se a sobrancelha

O peito

A barba

O quadro e o sujeito

O joelho ralado, apoiado no azulejo

Que deixa na boca o gosto

O beiço

Saliva, desejo

Segue em passos certos

Escritos em linhas tortas

Dentro de armário suados, no cio de seu desespero

Um olho no peixe

Outro no gato

Trancados arranham portas

(dores!) nos maxilares

Cânceres, tumores

Vyados que proliferam

Em locais frescos e arejados

De mendigos a doutores

Cercados por seus pudores

Caninos e mecanismos afiados

Fazem suas preces

Diante de mictórios: fé em pele de vício

Ajoelham

Rezam, genuflexório

Acordam pra cuspir plástico e fogos de artifício

 

Não sei se você ficou um pouco espantado com letra, mas o que eu mais gosto da Linn, além do estilo inovador, são as suas músicas, ela não tem medo de nada, ela está aqui para denunciar o que vê, as injustiças, o pinky money, a heteronormatividade, os preconceitos, o racismo, enfim, as nossas mazelas sociais. Caso tenha interesse, irei disponibilizar o link do instagram e último álbum dela.

Cantora Linn da Quebrada. Foto: Instagram.

Bom, eu espero que tenha gostado da matéria, começou um pouco tensa, mas acho que terminou um pouco menos. Além disso, se você tiver outras obras para indicar sobre o assunto, que trate do orgulho LGBT, será bem vindo, não só filmes ou livros, mas também artistas etc. Bom, vou ficando por aqui, um grande beijo e aquele abraço!

Orações para Bobby: https://youtu.be/TYAkCl6oVZM

Instagram da Linn: https://instagram.com/linndaquebrada?utm_source=ig_profile_share&igshid=xj3f889wjzfu

Último Álbum: https://www.youtube.com/playlist?list=PLlOe7jYNIYZ2l2R0WO9UNF6xZQnRqOHhM