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São Sebastião: de santo católico para ícone gay




Olá, caros leitores, tudo bem com vocês? Eu espero que sim. Hoje, trago mais uma matéria sobre curiosidades do mundo LGBTQ+ e, desta vez, conversaremos sobre São Sebastião, o santo que se tornou símbolo de resistência para a comunidade gay. Ficou curioso? Simbora.

Roma depois de Cristo

Busto do Imperador Diocleciano.

Para quem se esqueceu, o Império Romano após o nascimento de Cristo foi marcado por um período de intensa agitação política e social, além de religiosa, esta devido ao aparecimento e dispersão do Cristianismo, desse modo, a fase em questão é conhecida como Baixo Império Romano. Há três imperadores que tentaram impedir a derrocada da parte ocidental do vasto Império, são eles: Diocleciano, Constantino e Teodósio. Hoje, irei comentar apenas do primeiro, pois foi em seu governo que o nosso santo apareceu.

Imagem de Sebastião em vida, representado como um soldado romano.

São Sebastião viveu entre 256-286 d.C e exerceu cargo de capitão da guarda pessoal do Imperador. De acordo com os dados históricos, sempre fora cristão, todavia omitia a sua fé para evitar perseguição. Ainda que continuasse a pregar os ensinamentos de Cristo aos outros romanos na clandestinidade. Há boatos de que o jovem era muito próximo de Diocleciano e suposto amante, e este sabia da sua crença, mas deixava passar despercebido, até o dia que o jovem rebelou-se contra o Imperador.

Diocleciano então mandou flechar seu corpo e jogá-lo num rio, onde segundo a lenda, Sebastião não morreu e voltou a expandir os princípios cristãos no Império até que novamente o governante mandara matá-lo a pancadas.

Obra: “San Sebastiano”, Guido Reni, Itália, 1616.

Sebastião tornara-se santo desde a Idade Média, período em que fora associado ao protetor da lepra e, posteriormente, da aids; já na Renascença, foi associado ao auge da virilidade e sexualidade, em que as flechas representavam um suposto sadomasoquismo.

No Brasil, comemora-se no dia 20 de janeiro, o dia de São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro.

Ícone Gay

Recentemente, um padre consultor de relações públicas do Vaticano disse que alguns santos poderiam ser gays em respostas a comentários homofóbicos em uma publicação na rede social. O clérigo ironizou ainda “não seria surpreendente você chegar ao céu e ser recebido por um santo gay ou lésbico”.

A relação existente entre a trajetória de vida do jovem que virou um santo e a de um membro do segmento LBGT consiste nas adversidades encontradas por assumir a sua condição, seja a de Cristão, seja a de uma pessoa homossexual. Assim, a analogia reside no sofrimento, na perseguição e nas barreiras que esses indivíduos encontram durante a vida.

Comentários

Analogia essa bem perspicaz ao meu ver, por exemplo, na época em que Sebastião viveu, ser cristão era crime de morte! Ratificando a intolerância religiosa da época, que se estende até os nossos dias e que não restringe-se ao Cristianismo, mas sim, abrangente a todas as outras, dependendo do lugar que você esteja. Somando-se o fator sexualidade, não é diferente. O jovem que se descobre gay, lésbica, transexual enfrenta desde dificuldades pessoais, como a auto aceitação e também o preconceito, às vezes familiar e o da sociedade, mais uma vez, homofóbica e heteronormativa. O que o leva a dois caminhos: viver um vida em “segredo” ou sair do armário e enfrentar todas as dificuldades que o mundo o assegurará, por ser “distante do padrão imposto”.

Citações

Cartaz do Filme.

A imagem de São Sebastião, na verdade, a sua pluralidade de interpretações, deu origem a diversas obras de artes, entre elas pinturas, como a de Leonardo da Vinci; filmes como “Sebastiane, de Derek Jarman, em que interpreta o santo como um ícone gay; capas de revistas, como a da “Esquire” (1968) e apreciação em um episódio de Simpsons em 2005. Desta maneira, fica nítida a força que a figura de São Sebastião representa na atualidade, sobretudo para a comunidade LGBT.

Espero que tenham gostado da matéria, é importante lembrá-los de que há outros santos considerados “Gays”, não apenas de boatos, mas sim, com embasamento histórico, vale a pena a pesquisa. Vou ficando por aqui, um grande beijo e aquele abraço.

 

Kawê Oliveira
Kawê Oliveira
Olá, me chamo Kawê e faço parte da equipe da BLB. Sou colunista e tradutor, é um prazer imenso poder auxiliar na produção de conteúdo asiático e LGBT acima de quaisquer divergência de opiniões. Fico por aqui, um grande beijo e aquele abraço.
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