Home Matérias REVOLUÇÃO DAS BICHAS!

REVOLUÇÃO DAS BICHAS!

Em 28 de junho de 1969, na rua Greenwich Village, na cidade de Nova Iorque, no bar Stonewall inn acontece uma revolta que mudaria para sempre a vida das pessoas daquele espaço e em todo o mundo. Estando elas ligadas diretamente, indiretamente ou mesmo indiferentes aos acontecimentos, há alí um ponto de mudanças, lutas e conquistas para uma comunidade e para a humanidade.

Até onde eu tenho direito de interferir na tua vida ou na vida de outras pessoas? Eu devo ou posso fazer isso, decidir por você? Eu não te conheço, não sei da sua vida, mas não gosto de azul e você gosta tanto que pinta a casa, usa roupas e móveis dessa cor. Fato que me incomoda, então crio um lei e proíbo a cor azul; vejo um casal na rua e não gosto deles juntos, crio uma lei que os proíba de se relacionarem. Há alguma lógica nisso? Para algumas pessoas, sim.

A década de 60 é um período de grande instabilidade política e social, transformações e lutas por mudanças na forma como os estadunidenses viam a si e ao mundo. As lutas pelos direitos civis dos negros, libertação feminina, reinvidicações contra a Guerra do Vietnã. É um tempo de transformações, mas para uma parcela significativa da população não. A comunidade gay-lésbica na verdade até então sofria grande repressão e marginalização.




A sociedade norte americana dessa época considerava crime relações amorosas ou sexuais entre adultos do mesmo sexo e tal fato culminava em prisão, a comunidade científica tratava a homossexualidade como homossexualismo (doença) com respaldo técnico-científico. O que contribuía para o preconceito, imaginário negativo e discriminação da comunidade. Ser gay ou lésbica era sinônimo de doente mental que poderia contaminar outras pessoas.

O Estado promovia campanhas para conscientizar as pessoas do perigo da epidemia “gay”, reprimia e prendia quem cometesse atos imorais, e ainda pior, “curava” aquelas e aqueles que apresentavam tal distúrbio. Havia clínicas, se é que posso chamar assim, para procedimentos de reeducação sexual, por meio de eletrochoques, castração e lobotomia de pessoas que resultava na morte, estado vegetativo, loucura das mesmas, menos na cura.

As pessoas buscava refúgio em locais em que poderia ser sentir relativamente seguras e confortáveis para serem elas mesmas sem censura e julgamentos. Em Nova Iorque, cidade grande, esses locais de relativa liberdade eram: banheiros públicos, ruas, e em especial, um bar gay, o único na cidade, específico para a comunidade, o Stonewall mantido pela máfia. Constantemente invadido pela polícia, que prendia seus frequentadores.

Entretanto, no dia 28 de junho de 69, algo diferente aconteceu durante uma dessa batidas policiais. Os frequentadores não aceitaram a repressão policial, iniciando uma confusão no bar que teve seu estopim, segundo falam, a partir de uma lésbica que enfrentava um policial e a multidão de gays e lésbicas que se formou em volta do estabelecimento interferiu, fazendo os policiais recuarem. Naquele momento, sem dúvida, o mundo mudaria e mudou. Todos se uniram, incendiaram, quebraram o bar e queriam linchar a polícia.

A semana que se seguiu foi de protestos, marchas e enfretamento da polícia, da sociedade e das leis que jogavam para o submundo a comunidade e não permitia que ela pudesse viver com dignidade. Esse dia e os que se seguiram, influenciariam para sempre a luta da então agora comunidade LGBTQ+. A luta não iniciou-se alí, mas a partir desse momento teve outra dimensão e impacto, as gays não estavam mais se escondendo, iam às ruas, organizavam-se em associações, coletivos, impunham suas pautas, necessidades, pediam Respeito.

É a partir da marcha que celebra o aniversário de uma ano da Revolta de Stonewall, que então nasce a Parada do Orgulho Gay, que se espalhou pelo mundo como uma celebração não só dessa data, por isso a maioria se faz no mês de junho, mas também como uma forma de marcar a presença dessas pessoas como gente no espaço social de seus países, que conquistaram muito, porém querem mais.

Stonewall é o marco de tudo aquilo que temos hoje, que conquistamos até hoje. Se você pode dizer, com mais liberdade, que é gay, lésbica, viado, sapatão é porque um monte de bichas afeminadas e sapatões, dragqueens, travestis e outros foram corajosos para se levantarem, apanharem, serem xingados, mortos, lobotomizados, odiados, expulsos de casa, rejeitados pela família, perderem os empregos, se prostituírem só pra serem quem são com liberdade e abrirem caminho pra que você também pudesse hoje ser e mesmo negar e desdenhar tudo isso.

Xeu enxugar as lágrimas, porque não sei se escrevo ou choro!

Abaixo links e dicas de textos e documentários sobre a temática, além de um texto lindo explicando o significado de LGBTQ+.

O que significa a sigla LGBTQ+: https://medium.com/@pinkads/o-que-significa-a-sigla-lgbtq-e-quais-s%C3%A3o-as-outras-siglas-utilizadas-e3db6ec5181f

Texto que serviu de base pra matéria: https://www.hypeness.com.br/2018/06/como-as-revoltas-de-stonewall-na-ny-de-1969-empoderou-o-ativismo-lgbt-para-sempre/

Documentários: https://www.youtube.com/watch?v=cxSBW79yxjQ

Na Netflix: Morte e vida de Marsha P. Johnson e Paris Burning.

Bobby Ribeiro
Bobby Ribeiro
Bobby é Mineiro, tem 28 anos é formado em Pedagogia e Administração de Empresas pela Universidade Católica de Brasilia. Administrador e desenvolvedor da Boys Love Brasil. Atualmente Administrador Presidente da Boys Love Brasil.
Bobby Ribeiro
Bobby Ribeiro
Bobby é Mineiro, tem 28 anos é formado em Pedagogia e Administração de Empresas pela Universidade Católica de Brasilia. Administrador e desenvolvedor da Boys Love Brasil. Atualmente Administrador Presidente da Boys Love Brasil.
2,719FansLike
2,580FollowersFollow
5,535FollowersFollow
1,800SubscribersSubscribe

Mais Lidos

Uma breve síntese sobre a entrevista com um brasileiro residente na...

Olá, pessoal, tudo bem? Hoje, a matéria será um pouco mais curta, pois o foco na verdade, não é este texto, mas sim, o...

ANITTA TAILANDESA!!!

OS INTOCÁVEIS!!!!