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Manifestações em Hong Kong marcam a resistência da ilha perante a influência de Pequim




Iniciados há exatamente um mês (06), os protestos pró-democracia revelam a resposta dos moradores de Hong Kong sobre a recente lei que prevê o envio de suspeitos à China Continental para serem julgados. Esse projeto de lei de extradição foi apresentado pelo governo local e obteve apoio integral de Pequim. Caso aprovado, as regalias adquiridas pela ilha em 1997 seriam fatalmente atenuadas e o poder de influência continental intensificado. 

Antecedentes

Foto: Dale De La Rey/AFP

Hong Kong possui uma história complexa e conflituosa, foi e ainda é alvo de interesse de potências globais tais como EUA, China e Reino Unido. Geograficamente, a região pertence a terras chinesas, localizada na parte meridional do país. Em 1842, final da Primeira Guerra do Ópio, conflito travado entre China e Inglaterra, a região foi entregue para o domínio britânico, permanecendo por mais de um século até 1984, ano em que foi assinado um acordo entre os dois países a fim de devolver o território para o regime de origem, o chinês, não obstante, foi somente em 1997 que a ilha deixou de ser colônia britânica. 

Mesmo retornado ao governo materno, foi implantado em Hong Kong um regime político intrínseco denominado “um país, dois sistemas”, o qual fornece autonomia exclusiva a essa região por 50 anos, isto é, com prazo até 2047. Entre os privilégios concedidos, destacam-se: a possibilidade de possuir um modelo político e estruturas econômicas próprio, salvo as exceções nas áreas de defesa e relações exteriores que permaneceriam sob o comando chinês. 

Uma observação contundente a respeito da região é que durante as décadas de 70 e 80, auge da Guerra Fria, conflito mundial entre EUA e Ex-URSS, Hong Kong tornou-se um dos quatro Tigres Asiáticos, uma liga econômica e politicamente estratégica criada para tentar conter o avanço das ideias socialistas na região, ou seja, Hong Kong, Cingapura, Coreia do Sul e Taiwan, por meio de maciços investimentos japoneses e norte-americanos nas economias desses países, possibilitou a inflação de conflitos geopolíticos na região, todavia foram decisivos para o grande crescimento financeiro desses países. O que torna possível afirmar, por exemplo, que Hong Kong é a grande vitrine capitalista chinesa, ou seja, uma região que atrai estrangeiros, investimentos e claro, o interesse dos próprios chineses, além da contestação do atual regime do país (China), considerado uma ditadura unipartidária cujo partido hegemônico é o Comunista, marcado pela censura, repressão e manipulação de dados, sem contar com a corrupção. 

Influência chinesa: CENSURA

Acredito que não deve ser novidade para nenhum brasileiro o fato da China estar crescendo dia-a-dia cada vez mais, esse crescimento assusta muita gente (vulgo os norte americanos), mesmo que seja acusada por ser desleal com seus concorrentes e aqui me abstenho de mais detalhes a respeito da chamada “Guerra Comercial” entre as duas maiores potências globais da atualidade, pois o meu foco é a parte social, por quê? Porque é aqui que faço um rápido link com os doramas chineses, sabe? Aqueles que nos mostram personagens fofos, apaixonados e com uma história boa, mas que… quando chega próximo do fim, quase no final… o último episódio ou os 10 minutos finais, não sei o que dá no diretor, no roteiro, mas tudo é revirado, gente morre, gente é traída, o casal não se entende mais ou então… A SÉRIE É CANCELADA. 

Nossa, rs, será que você conhece algum dorama ou até filme chinês assim? Não precisa nem responder, eu já até começo a ficar mal por tocar no assunto. Meu intuito era na verdade falar somente a respeito da censura chinesa, mas porque não comentar sobre o fenômeno “bromanização”? É impressionante como eles gostam (ou são forçados) de em todo c-drama BL fazer com que aquele casal belíssimo, que tem tudo para acabar perfeitamente bem e feliz, se torne apenas um bromance fraco e chulo, na minha cabeça agora vieram vários, inclusive, me faça um gentileza e coloque nos comentários os seus “bromances chineses preferidos” para que possamos passar raiva ou rir de nervoso juntos. 

Falei demais né? Só mais um parágrafo e já volto para Hong Kong. Além da questão do Bromance, que realmente tenho dúvidas se é algo do autor ou só mais uma “lei” chinesa sobre obras que subvertem os “padrões da boa conduta” blá blá, seria legal aproveitar esse momento China para questionar até quando os nossos amigos chineses serão assim… passivos e “escravos do sistema”, eu sei que lá não é um lugar normal, digo, democrático como aqui no Brasil, onde podemos marcar algo na internet e nos reunir na Paulista, por exemplo, para contestar algo que não concordamos, mesmo que lá a Máquina Pública seja forte, será que não existe um jeito deles lutarem por mais democracia, por mais liberdade? Eu juro que, às vezes, questiono se o motivo de não ocorrerem manifestações é 1. por eles não poderem (qualquer motim é cadeia na certa etc) ou 2. por eles aceitarem, pronto e acabou. Fica a dúvida no ar … E você, qual a sua opinião sobre isso? 

Guarda-chuvas: Símbolos de resistência 

Foto: Philippe Lopez/AFP

Outras peculiaridades sobre essas manifestações em Hong Kong são: a estratificação do setores envolvidos, sejam os que repudiam a Lei de Extradição ou aqueles que vislumbraram nesse movimento a oportunidade de reivindicar melhorias no país, de qualquer forma, há no meio dessa grande onda de insatisfações a presença de mulheres, idosos, cadeirantes, ricos, pobres, crianças e, sobretudo, de jovens, o segmento que definitivamente mais se destaca, todos utilizando camisas pretas, um símbolo nacional de descontentamento com as recentes ações da executiva-chefe, Carrie Lam, duramente criticada pela população, que inclusive pede seu renunciamento. Além das camisas escuras, os envolvidos marcham com máscaras e guarda-chuvas com intuito de minimizar os efeitos do gás lacrimogêneo utilizados pelos policiais. 

Para entender melhor a história dos guarda-chuvas é preciso voltar para 2014, ano marcado em Hong Kong pelo “Movimento dos Guarda-Chuvas”, manifestação pró-democracia. Foi um movimento também de grande agitação social que mobilizou mais de 100.000 pessoas e reivindicava eleições diretas para chefe executivo local, diferente do modelo tradicional elencado em 97, em que a eleição é feita a partir de uma lista de candidatos indicados por Pequim. Somente no final da manifestação, que durou aproximadamente 80 dias, é que houve confronto entre manifestantes e policiais, onde estes usaram gás lacrimogêneo e spray de pimenta e, para se defender, aqueles seguravam guarda-chuvas amarelos.

Há 5 anos eram utilizados guarda-chuvas amarelos, hoje não há preferência de cores, pois o apenas o ato de abrir um guarda chuva numa passeata para defender-se da repressão policial já se tornou, em Hong Kong, um símbolo da luta pela democracia. É válido lembrar que todas as ações realizadas pelos cidadãos da pequena ilha até o momento sempre foram pacíficas, uma vez ou outra, como o citado anteriormente, há um embate com as tropas policiais.

1º de Julho – Comemoração do 22º Aniversário

Imagem interna do Parlamente. Foto: Anthony Wallace/AFP

Um marco dessas manifestações foi uma ação surpreendente que aconteceu nesta última segunda (01), dia em que se comemorou o 22º aniversário da retomada de posse de Hong Kong pela China, alguns manifestantes invadiram o Parlamento, sede legislativa local, destruindo vidraças e pichando as paredes do local, a polícia apenas agiu 3 horas após o início dos ataques. A ala pacífica e também proeminente do movimento criticou duramente a invasão do prédio, além de parlamentares que apoiam a marcha. Pequim aproveitou o motim para realizar críticas ao movimento e também rechaçar os comentários realizados pelo governo britânico que pediam a ela que respeitasse o acordo de 97 e contribuísse para a democracia nacional. 

Ao meu ver, a invasão do Parlamento até pode sim ter gerado certo pânico nos políticos e pressionado Carrie Lam na decisão de continuar ou não as tramitações da Lei, ou então na possibilidade de renúncia ao cargo de executiva-chefe, porém quando alguns setores de um movimento tão bem organizado, que contou com uma grande parcela da sociedade (aproximadamente 28%), pacífico e duradouro (estamos falando de um mês corrido) começam a depredar órgãos públicos a fim de chamar atenção do Estado, tende a perder, de certa maneira, a credibilidade, além de correr o risco de desviar dos seus objetivos originais, nesse caso, impedir a aprovação da Lei de Extradição. Seja lá como for, é apenas a minha opinião, ficaria muito feliz e satisfeito se você, leitor, contribuísse com a sua, vamos lá, o que acha? Virou “balbúrdia” ou não virou? 

Bom, chegamos ao fim de mais uma matéria, muito séria por sinal, já que se trata de uma crise democrática séria e que afeta diretamente todos os cidadãos de Hong Kong, uma vez que se aprovada essa Lei, de fato, é como um tiro no pé da população local, pois acarretaria num fim mais veloz dos direitos civis conquistados em 1997. A pergunta que fica: Hong Kong irá conseguir? A voz do povo é a voz de Deus? A tia China vai ganhar? Fique por dentro das notícias e quem sabe eu volte aqui para conversar mais um pouco sobre essa crise e, claro, falar mal da China, rs. Beijos, abraços e não se esqueçam, comentem o que acharam!! Até. 

Fonte

https://exame.abril.com.br/mundo/mensagem-da-china-para-hong-kong-disciplina-ou-irrelevancia/

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2019/07/05/maes-de-hong-kong-marcham-em-apoio-a-movimento-de-estudantes.htm

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2019/07/manifestantes-tentam-invadir-parlamento-de-hong-kong-durante-protesto.shtml

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2019/06/guarda-chuva-se-firma-como-simbolo-da-democracia-em-hong-kong.shtml

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/06/16/internacional/1560692921_683769.html

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/07/05/as-5-principais-diferencas-da-vida-em-hong-kong-e-na-china.ghtml

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2019/07/05/china-deteria-lideres-de-protestos-em-hong-kong-se-eles-existissem-diz-wong.htm

Kawê Oliveira
Kawê Oliveira
Olá, me chamo Kawê e faço parte da equipe da BLB. Sou colunista e tradutor, é um prazer imenso poder auxiliar na produção de conteúdo asiático e LGBT acima de quaisquer divergência de opiniões. Fico por aqui, um grande beijo e aquele abraço.
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