Home Matérias O que podemos aprender com WHAT THE DUCK?

O que podemos aprender com WHAT THE DUCK?




Olá, pessoal, tudo bem com vocês? Eu espero que sim e, mais do que isso, anseio que antes de lerem essa resenha, tentem apagar seus estigmas sobre What The Duck, sendo mais específico, sobre a segunda temporada “Final Call” (última chamada). Além disso, peço que entendam meu linguajar no decorrer do texto, pois eu posso me referir ao lakorn como “cadê o pato??” (tradução fofa feita por mim) ou simplesmente “WTD”, ok? Bom, passadas as coordenadas na nossa íntima introdução, apertem os cintos, pois iremos decolar, preparados?

T1 – Risos, choros e reflexões 

Confesso que estou um pouco perdido e nem sei por onde começar, mas como diria o nosso amigo Jack, o estripador, precisamos ir por partes. Eu acho até um pouco nostálgico falar sobre WTD, porque eu acredito que faz exatamente um ano que a primeira temporada acabou (eu realmente não recordo se a T1 foi lançada no começo ou fim de 2018), de qualquer forma, eu lembro que acompanhei todos os episódios semanalmente, acho que foi até na época de provas e quando eu chegava em casa lá pelas 22h… 23h chegava a notificação no telefone avisando que havia episódio novo e mesmo podre de cansado eu clicava e assistia, e o mais engraçado é que valia a pena, pois as vezes eu estava cansado, triste ou só com a cabeça cheia de tarefas e aqueles 25.. 30 minutos eram revigorantes e até facilitavam meu sono, ai vou chorar, kkk, ok chega de depoimentos. 

O fato é que a primeira temporada de cadê o pato foi demais, que eu me lembre, as críticas foram bem leves e o casal principal estava indo bem, ainda que eu ache plausível alguns comentários como: a maneira que o casal se desenvolveu, levando em consideração que para isso foi necessário o término com a namorada do Pop (aquele fofo do Oreo, meu patinho) e eu até recordo que o dorama que vi antes de assistir WTD foi TWM (Together With Me) e a atriz que fez a namorada do Knock (eu sempre confundo esses nomes parecidos), que na série se chamava Pleng Plern (eu até hoje falo o nome dela com a entonação da Yihwa), em WTD era a namorada do Pop cujo nome é Mo.

O fato é que (in)felizmente o meu ranço da personagem em TWM só aumentou em WTD (e isso é péssimo, pois mais uma vez a mulher é vítima da paixão inesperada do mocinho com o amiguinho), mas não quero me aprofundar nesse assunto, pois meu querido chefe, Bob, inclusive já escreveu uma matéria bem densa sobre esse ódio gratuito contra as personagens femininas em doramas BL. 

Outro comentário sobre a T1 é a respeito do casal secundário… Lastimável, né gente? Quem viu sabe do que estou falando, a primeira cena dos dois foi de tirar o fôlego, mas que com o passar do tempo, a relação foi cada vez mais se deteriorando seja pelo fato do Rambo ser obrigado a se casar com uma mulher (eu detesto casamentos arranjados, poxa Ásia) e não ter tido coragem para enfrentar seu pai e se casar com Pree, enfim um problemão. A parte mais triste é que essas mazelas no relacionamento deles extravasaram a ficção e atingiram a realidade, já que os atores que interpretaram Pree (Mew) e Rambo (Art) “namoravam”, mas no intervalo entre a T1 e a T2, eles “romperam” e tivemos aquele vídeo que eu nem sei explicar do Art chorando, enfim, bola pra frente. 

Fora essas duas polêmicas da T1, o restante correu tudo bem e com bastante humor e fofura. Ah! Antes que eu me esqueça, na verdade fico apreensivo se devo tratar isso como uma piada ou problematizar… Deixo por conta de vocês, ok? Estou me referindo ao fato do Oat (interpretado pelo Stronger) dizer que ama o Pop, mas também que ele não é gay.

Eu até entendo que hoje a sociedade se encontra bastante segmentada, no sentido de identificação de gênero e etc. O número de orientações sexuais, por exemplo, dilatou vertiginosamente e eu confesso que ainda não conheço todos e eu (autor desta matéria) apoio os que dizem que, às vezes, é maçante você ser tão rotulado a ponto de se ver obrigado a se identificar imediatamente para se encaixar nos padrões impostos por esse segmento, mas essa questão da personagem dizer que ama um cara e não se “achar gay”… não sei, acho um pouco forçado, mas quem sou eu para dizer algo sobre a sexualidade de alguém não é mesmo? Aliás, o mundo seria mais pragmático se a gente parasse de interferir tanto na vida do outro e focássemos em nós mesmos, não? Bom, acho que me estendi até demais, né? Por hora prefiro rir da orientação do P’Oat e lembrar de um comentário que li no twitter há um tempo que dizia “chocada que o Oat inventou a broderagem”, opinem!!!! 

A primeira temporada acabou relativamente bem para os amantes de PopOat assim como eu, mas bem ruim para o casal secundário PreeRambo. Na verdade, em algum momento eu me recordo que durante a briga com o Rambo, o Pree começa a auxiliar Pop nos estudos, já que este deseja se tornar comissário de bordo, sonho esse que foi cultivado desde o período em que Pop era namorado de Mo, mas que (in)felizmente somente ela consegue passar e ele se torna carregador de alimentos para avião, eu chamo isso de destino, rs. Voltando ao Pree, ainda que ele tenha todo do direito de ficar bravo com o Rambo, achei uma falta de respeito com a própria irmã dar em cima do Pop, enfim mudando de assunto, eu quase ia esquecendo de um ponto chave da T1… A questão financeira!

Finanças – Uma realidade na vida de qualquer ser humano

Desde quando eu vi meu primeiro dorama, e aqui vai mais um desabafo, lá em 2017 (o engraçado é que eu falo como se fosse, sei lá, 10 anos atrás… Enfim, sempre estive acostumado com histórias em que um dos garotos era pobre e o outro rico, mas nada tão relevante para o desenrolar da trama, porém em WTD eu pude vislumbrar que o dinheiro é algo fulcral e gerador de brigas, molda relações etc. Mesmo sendo cenas um pouco cômicas, a saber quando o Oat faz contas na calculadora após ter feito uma aposta e, por isso precisa saber o balanço dos gastos do mês é algo bem gente como a gente, eu imagino que deve ser igual a uma pessoa que recebe uma determinada quantia, mas que naquele mês extravasou com as compras e agora terá que poupar para o próximo mês, coisas da vida.

A questão é que Oat, por não conseguir dinheiro para saudar suas dívidas, acaba se envolvendo numa briga feia e ficando bastante ferido, e esses machucados são tratados pelo nosso Pop, o que nos rendeu a cena de beijo BL mais engraçada de todas! Brincadeiras a parte, a questão econômica realmente me fez pensar mais sobre poupar dinheiro e também sobre as diferenças sociais (vocês sabem, pra mim toda obra tem um teor crítico) que em WTD podem ser explicitadas na parte em que Pop descobre que os carregadores comem as mercadorias (alimentos) que sobram e, então decide contar para o chefe e o desfecho de toda essa história é a briga que ele compra com Oat e com os carregadores que tiveram seus salários reduzidos. 

Salários esses que já eram baixíssimos. Lembro com clareza de quando o Oat fala a Pop que dedurar os companheiros não é certo, ainda que comer os alimentos não seja politicamente correto, pois com o que eles ganhavam mal dava para comer etc etc. Não sei se estou conseguindo passar a mensagem que gostaria citando essa parte do drama, que talvez pode ter passado despercebida, uma vez que o foco num BL é o BL, porém queria só abrir uma questão sobre a concentração de renda que existe não só na Tailândia (há dados sobre isso), mas aqui no Brasil também e que por isso é muito importante discutir o tema a fim de combater tais injustiças sociais. Tenha paciência, leitor, prometo que irei para a T2 imediatamente. 

T2 – Armadilhas, tensões e saudades

Enfim, segunda temporada, como eu fiquei feliz em saber que nem um ano após a primeira já haveria uma continuação e com isso o desfecho meu amado casal “PopOat”. 555555555555555555555 (rindo à moda tailandesa, vamos descontrair, estou precisando). Por onde começar? Ata. Pelo começo. Bora então.

Não sei é somente eu que pulo a música de abertura dos doramas, salvo algumas exceções como WTD, eu amei aquela músiquinha chiclete que não sai da minha cabeça até hoje e que na T2 ganhou algumas modificações interessantes, um ponto positivo. Indo ao drama, irei pontuar as partes que me deixaram mais surpreso e, quiçá, confuso como a transformação abrupta de Rambo que aparece determinado a acabar com o relacionamento do nosso casal principal para deixar a pessoa que ele ama (Pree) feliz, já que ele gosta de Pop. (….) “QUE?”. O que se pode absorver disso é: 1. há certas pessoas que realmente não superam o fim de um relacionamento 2.devemos rever o conceito de amar (espero que seja unânime o consenso de que amar não signifique destruir a relação do outro, digo, a felicidade não consiste em ver o outro mal para poder estar bem, confuso, mas acho que compreensível, espero). 

Em seguida já vamos para outra questão: os irmãos aleatórios que aparecem na série. Eu conversei com uma amiga minha que escreveu um review sobre WTD2 e ela disse que eles são um casal da versão chinesa que foi anexado na versão tailandesa. Eu realmente ouvi falar nessa versão chinesa, porém não assisti e não tenho curiosidade (in)felizmente. Mas se você, leitor, tiver assistido ou tiver mais informações sobre esse “casal” inédito, por favor, não deixe de comentar.

O que eu tenho para falar dos dois, P’Ton e P’Mai, é que achei muito inusitada toda a história e desenvolvimento, principalmente pelo fato deles serem irmãos e, por favor, né? Isso só foi descoberto depois de acontecer tudo aquilo como estupro, violência física e prisão domiciliar (fui dócil demais?) ou melhor cativeiro. Além disso, a questão que mais me deixou abismado, porém triste foi o sadomasoquismo da personagem Mai, acostumado tanto a sofrer, começou a ver na dor uma válvula de prazer. Louco, né? 

Outrossim, eu acho que ainda sobre os irmãos, podemos comentar sobre a adoção, já que eles eram duas crianças abandonadas pelos pais num orfanato e, também inseparáveis desde então. Indivisíveis até P’Ton ser adotado e ser forçado a deixar seu irmão no orfanato, sozinho. É uma melancolia infinita, mas que acredito ser outra crítica consistente acerca da temática na Tailândia, para ser sincero, eu não sei nada sobre adoção na Tailândia, todavia aqui no Brasil o assunto não é algo novo, ademais chega a ser delicado, pois a procura de crianças é muito superior a oferta. O que gera a discussão a respeito das causas para o número de crianças a espera de uma família ainda sejam tão elevados no Brasil? 

Leitor, você seria capaz de me responder? 

O último tópico que gostaria de comentar com vocês é sobre a religião, na verdade, sobre o Budismo. Eu admito que sou leigo no assunto, conheço infimamente os preceitos da seita, mas confesso também ter bastante curiosidade e a causa disso é, com certeza, os lakorns. Eu já assisti a muitos doramas BL, mas WTD 2 foi o único até o momento que mostrou uma cerimônia de ordenação, eu não sei por que, mas eu fiquei emocionado quando Oat foi ordenado, talvez pelo fato de saber os motivos que o levaram a isso, enfim, eu fiquei bastante comovido, principalmente no último ato que é quando o Pop está na porta olhando para o Oat e ele faz um cumprimento e se vira, aquilo foi o clímax do episódio para mim.

O que pude aprender com essa parte do dorama é que, às vezes, precisamos fazer sacrifícios pela pessoa que amamos. Além do tradicional “amar: é dar sem esperar algo em troca”, com esse drama eu percebi que, literalmente, se você ama alguém de verdade não é necessário ficar com ela (num relacionamento), talvez vocês não estejam preparados um para o outro, talvez a hora de vocês ainda não tenha chegado e, por isso, para que o seu amado(a) seja feliz, é preciso se distanciar dele. 

Aqui há múltiplas interpretações e também vou começar a deixar algumas das minhas infinitas dúvidas sobre esse final de What The Duck. 

Dúvidas

  1. Oat realmente virou monge por causa da sua mãe ou foi pelo o que Mew disse?
  2. Será que Pop ficará com Oat daqui 10 anos?
  3. O que Pop colocou naquela caixa que Oat enterrou debaixo da árvore?
  4. Quais eram as verdadeiras intenções de Pent com Rambo?
  5. Qual será o destino dos dois irmãos? Incesto? 
  6. Haverá continuação?

Não sei se essas indagações são somente minhas, mas ficaria muito grato se você, leitor, colocasse mais dúvidas, se houver, nos comentários ou caso tenha a resposta para alguma delas, nem que sejam teorias, deixe-as aqui para que eu possa seguir a minha vida com menos dúvidas, haha. Bom, essa foi minha resenha sobre WTD, resenha com cara de diário ou talvez um texto que tenha deixado você mais confuso com essa segunda temporada, o mais importante é que espero ter mudado um pouco pelo menos sua opinião a respeito do lakorn (e que seja positivamente). Vou ficando por aqui, um beijo e aquele abraço. #TributoAosMeusPatinhosPreferidos 


Kawê Oliveira
Kawê Oliveira
Olá, me chamo Kawê e faço parte da equipe da BLB. Sou colunista e tradutor, é um prazer imenso poder auxiliar na produção de conteúdo asiático e LGBT acima de quaisquer divergência de opiniões. Fico por aqui, um grande beijo e aquele abraço.
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