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Parada Gay é alvo de homofobia na Polônia




Oi, gente, tudo bem com vocês? Eu espero que sim. Bom, hoje iremos conversar, mais um vez, sobre um assunto espinhoso e muito recente, me refiro aos ataques realizados ontem, durante a primeira passeata para a comemoração do orgulho gay na cidade Bialystok. 

Contra-manifestantes em conflito com a polícia. Foto: Jerzy Baliski/AFP

O desfile nesta cidade, localizada na porção oriental do país, contou com a presença de aproximadamente 800 pessoas, segundo a polícia. Os manifestantes carregavam cartazes com mensagens como “O amor não é um pecado” e “Igualdade entre os sexos”, quando foram atacados por ultranacionalistas vestidos com camisetas do time de futebol “Hooligan”, que vociferavam frases do tipo “Não à sodomia em Bialystok!”, lançando pedras, fogos de artifícios e também garrafas.

Houve intervenção policial e 15 foram presos.

O prefeito da região, membro do partido Direito e Justiça (PiS), organizou um piquenique familiar que representa uma das 40 contra-manifestações da cidade contrárias à marcha. As últimas pesquisas apontam que o partido conservador poderia permanecer no poder após as eleições do segundo semestre.

A Polônia é uma país católico e, dessa maneira, a mentalidade dos seus habitantes ainda é muito fechada quanto a pluralidade, o que lhe confere um caráter mais conservador e intolerante. Com isso, a perseguição a minoria cresce vertiginosamente em todo o país, corroborado com os ataques à manifestação de ontem.

Ascensão do Conservadorismo na Europa

Não somente na Polônia, país do leste europeu, mas em toda a Europa central e o oriental, nota-se o crescente avanço do conservadorismo, em outras palavras, da tomada de poder pela extrema direita atrelada ao catolicismo, uma mistura que deixa marcas para a sociedade como o preconceito (machismo, homofobia e xenofobia), a violência (marchas ultranacionalistas) e a intolerância (religiosa).

O fenômeno talvez não seja uma coisa totalmente ruim, já que a própria História mostra que a política funciona como um pêndulo, ora para a direita, ora para a esquerda e, às vezes, repousa no centro, graças a essa oscilação, é possível tentar “agradar gregos e troianos”. Mas, se pensarmos nos direitos civis, políticos e sociais da população LGBT é ululante a carga negativa que esse processo pode resultar, nada menos que a extinção e a perseguição dos mesmos, basta pesquisar, por exemplo, qual o país que mais mata travesti no mundo. Adivinha? O Brasil! Qual a diretriz política do nosso Presidente? Acertou. Muito bem. 

Eleições de Outono

As eleições na Polônia estão se aproximando e, por isso, os partidos já começaram suas campanhas eleitorais e também a adotar posições em relação a assuntos polêmicos como os direitos das minorias (por exemplo LGBT), meio ambiente, aborto (além de outros direitos da mulheres) e imigração (pauta extremamente pungente na Europa). 

O atual prefeito de Varsóvia (capital do país), Rafal Trzaskowski, membro do partido centrista Plataforma Cívica, foi duramente criticado por conservadores e membros do clero por querer introduzir nas escolas um programa de educação sexual, discriminação e saúde reprodutiva da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Além disso, Trzaskowski publicou uma “declaração dos direitos LGBT”, confirmando a compromisso da cidade em amparar jovens rejeitados pela família a encontrar um abrigo. “É realmente importante para mim que Varsóvia seja uma cidade aberta, que Varsóvia seja tolerante.” Abaixo seguem algumas declarações de figuras importantes da Polônia, contrárias aos recentes projetos do prefeito. 

 “Tentativa de aliciar crianças para pedófilos” – Dariusz Piontkowski (Ministro da educação)

 “Como hoje já sabemos, trata-se da sexualização das crianças desde a primeira infância. Precisamos combater isso. É preciso defender a família polonesa. Precisamos defendê-la furiosamente, porque esta é uma ameaça à civilização, não apenas da Polônia mas da Europa como um todo, uma ameaça a toda a civilização baseada no cristianismo.” – Jaroslaw KaczynskI (Líder do PiS)

“Eles agitam uma bandeira de arco-íris e procuram roubar nossos valores internos, como verdade, amor, vida humana, família baseada no matrimônio e moralidade fundamentada no Evangelho e nos Dez Mandamentos.” – Henryk Grządko (Padre)

O ponto em comum de todas essas declarações é o fato de que tanto políticos como religiosos, além dos depoimentos visivelmente homofóbicos, associam reiteradamente o segmento LGBT com a pedofilia, para ter uma noção da gravidade do assunto, um padre e educador conhecido no país, Marek Dziewiecki, disse em uma entrevista de rádio que o sinal “+” utilizado na sigla LGBTQ+ representa “pedófilos, zoófilos e necrófilos” cujo objetivo final é “converter as pessoas em erotomaníacas inférteis”. 

Arco da Savior Square – um símbolo mais que cultural 

Julita Wojcik ao lado do arco que já foi incendiado 4 vezes. Foto: Piotr Maleck/NYTNS

No meio dessa “guerra cultural”, um pequeno (ou nem tanto) arco-íris construído com flores artificiais denota, ao mesmo tempo, a resistência do segmento LGBT no país e a violência de um lugar com raízes históricas ainda frescas, marcadas por guerras, holocausto e a propagação do comunismo. 

Para Julia Wojcik, criadora da obra, “O arco-íris não foi uma declaração pró-gay ou antigay. Trata-se de tolerância, diversidade, mente aberta.” Segundo a autora, o seu objetivo era remover qualquer tipo de conotação política do arco e deixar uma interpretação livre, além de construir um ponte de tolerância mútua. Porém, a interpretação do público foi totalmente diferente, o que resultou em ataques a obra, que no total foram quatro (até o momento).

De qualquer maneira, o gigantesco arco-íris de 9 metros de altura, localizado na Savior Square (praça da salvação), próximo a igrejas católicas e bares, representa uma luz no meio do caos eminente no país, despido ou não de cunho político, a obra passa uma mensagem de tolerância e respeito, atributos nevrálgicos para a convivência em sociedade. 

Alguns comentários

Eu realmente fico muito chateado com esse tipo de coisa, porque quando penso que estamos caminhando, progredindo, de repente, somos pegos de surpresa com um baque desses. De fato, parece que estamos na Idade Média! Eu não sei se eu tenho mais raiva dos cidadãos homofóbicos e, com certeza dotados de uma masculinidade hiper frágil, pois pra atacar uma parada gay é porque os incomodam e se os incomodam, hmmmm. Ou pelo fato do governo ser conivente, tudo bem, houve intervenção policial, mas e a lei, cadê a criminalização desses atos? 

Além disso, acho que o fato que mais me aborrece é, mais um vez, o binômio Política-Religião. Eu continuo reiterando, “política e religião juntas nunca darão certo, nunca!”. Talvez seja esse o principal motivo, a religião, já que se a Polônia é um país ultra-católico a esse ponto, provavelmente os políticos, que já são da linhagem mais conservadora, não perdem nada agradando os setores clericais, aliás, tudo isso não passa de jogo político, não é mesmo? Sabe.. Eu me recordei de um país, não lembro o nome… Onde o Governo quer agradar a bancada evangélica para obter votos… deixa pra lá, já estou delirando!!

Bom, fico por aqui, e mais uma vez peço para que comentem abaixo a opinião de vocês, pois é muito importante! Ademais, queria deixar uma pergunta para vocês, leitores, por que cuidar da orientação sexual do nosso vizinho é tão importante? Um grande beijo e aquele abraço, fui! 

Fontes

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2019/07/20/ultranacionalistas-poloneses-atacam-parada-gay.htm

https://www.terra.com.br/noticias/grupos-lgbt-reagem-a-campanha-do-governo-da-polonia,ca216c4dfb5ba9427f38335521a2d0a1znvnzb4c.html

https://gauchazh.clicrbs.com.br/mundo/noticia/2013/04/escultura-de-arco-iris-resiste-a-ataques-contra-sua-mensagem-4094395.html

https://brasil.elpais.com/brasil/2016/01/22/internacional/1453493128_239155.html

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2019/04/populistas-da-polonia-escolhem-os-gays-como-seus-maiores-inimigos.shtml

 

Kawê Oliveira
Kawê Oliveira
Olá, me chamo Kawê e faço parte da equipe da BLB. Sou colunista e tradutor, é um prazer imenso poder auxiliar na produção de conteúdo asiático e LGBT acima de quaisquer divergência de opiniões. Fico por aqui, um grande beijo e aquele abraço.
Kawê Oliveira
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