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Exposição, Humilhação, Homofobia

Chegamos a terceira e última parte da análise das três personagens protagonistas do lakorn “The Judgment”, traduzida pela Netflix como “#Nãomejulgue”. Como já citado anteriormente, o dorama aborda questões bastante atuais como o uso maléfico das redes sociais para a exposição e degradação de pessoas. A primeira e segunda parte estão disponíveis aqui no site da BLB. 

Além disso, a série aborda problemas da adolescência e início da fase adulta, por exemplo, a sexualidade, as dificuldades financeiras, os relacionamentos abusivos e os conflitos familiares. Hoje o nosso foco é o personagem Namnhao, um dos gêmeos interpretado pelo ator Mond Tanutchai. 

Foto: Drama Fandom

Namnhao é um jovem educado, tímido e reprimido sexualmente por sua família, que é bastante conservadora. Namnhao tem um irmão gêmeoNamnuea, que durante o desenvolvimento da obra nunca se opôs as preferências de seu irmão, mesmo já tendo o conhecimento sobre o seu relacionamento com um rapaz. 

Esse rapaz se chama Jammie, um garoto que conheceu Namnhao durante uma festa. A partir daí, os dois trocaram números e começaram a se encontrar com mais frequência. É importante salientar que Namnhao até esse momento não havia se assumido para seus pais, assim o seu relacionamento era totalmente sigiloso.  

Imagem: Tumblr

Durante uma balada LGBT, os meninos se desencontram e Namnhao, que esperava por Jammie, fica bêbado e aceita um convite de outros caras do local para sair. Mal sabia ele que esses rapazes possuíam as piores intenções possíveis. Resumidamente, esses rapazes levam o garoto para um local distante e estupram-no, gravando tudo e, claro, postam na internet. É uma das cenas mais tristes do lakorn. 

No dia seguinte, descobrimos o que aconteceu com essas gravações. Na verdade, pelo fato do pai de Namnhao ser influente, ele recebe a notícia antes da publicação da matéria e consegue retirar o rosto de seu filho. Nesse ponto, Namnhao revela aos seus pais, da pior maneira possível, sobre sua sexualidade e a reação deles é deplorável.  

Na visão deles, assim como muitos, a homossexualidade é uma doença que deve ser tratada por um psiquiatra. Nessa parte, o garoto fica perplexo e debate com os pais, afirmando que o problema não é ele, mas sim, seus pais. Namnhao fica cada vez mais destruído psicologicamente 

E o Jammie? Bem, ele desde a noite que se desencontrou com nosso protagonista, entra em desespero e liga freneticamente para o rapaz, além enviar mensagens de texto, até que se recorda do endereço de Namnhao e vai até lá para obter informações. Ao chegar, é recepcionado por Namnuea, mas se confunde com o namorado, uma vez que os garotos são gêmeos. 

No final, ele consegue algumas informações, mas não sobe para vê-lo, pois o irmão do rapaz diz que o outro prefere ficar sozinho. Dias depois, finalmente Jammie consegue se encontrar com Namnhaono último encontro dos dois, marcado por desabafos, choros e um abraço, o mais demorado de todos 

Imagem: Tumblr

Até que Namnhao numa noite de muita crise e desespero faz uma carta de suicídio para seu irmão e se mata numa banheira. Aqui se pode ter uma dimensão das proporções que o acúmulo de ressentimentos pode fazer com um ser humano. Desde o preconceito dos pais ao estupro, passando pelo desrespeito e falta de compreensão, chegando a ser considerado um “doente”. 

Homofobia e Suicídio  

Estamos no mês amarelo, época da campanha de prevenção do suicídio e, um dos alicerces da busca pela morte é o preconceito contra o segmento LGBT. Seja a homofobia, a transfobia e, sinteticamente, tudo aquilo relacionado à heteronormatividade corresponde a um risco para a sobrevivência dessa minoria na sociedade. 

A perseguição, a violência (sexual, física, psicológica) contra gays, lésbicas, travestis leva esses indivíduos ao colapso emocional, seguido por um período de afastamento econsequentementebusca pela “falsa sensação de alívio imediato”, ou seja, o suicídio.  

Nesta situação, é necessária a mobilização de toda a sociedade para a causa, pois agora não é somente contra a homofobia que estamos lutando, mas sim, a depressão, o suicídio. Assim, o que se depreende da atual conjuntura nacional e mundial é que chegamos a uma mazela superior a respeito da violência e da saúde pública. 

As redes sociais, por exemplo, ao mesmo tempo em que auxiliam na propagação instantânea de informações, potencializa a difusão de notícias falsas, imagens e vídeos de pessoas sendo submetidas a condições humilhantes e perniciosas. Como estupro, calúnias e ódio gratuito. 

Parece clichê, mas o que se pode dizer sobre algo que é fundamental? É preciso ter compaixão, ser altruísta. Pensar, por exemplo, se fosse alguém próximo a você que estivesse numa situação ruim (nesses vídeos), você não ajudaria? Ou até mesmo você, faz sentido compartilhar um vídeo, uma mensagem caluniosa sobre uma pessoa que pode estar passando por problemas severos e prestes a tirar a vida? Reflita. 

Além disso, caso você, leitor, esteja passando por uma situação difícil, similar ou não a de Namnhao, diferente dele, faça como Lokkaew e Som, NÃO desista, busque ajuda, converse. É normal se sentir impotente, é normal ter dias ruins, é normal sentir-se triste ÀS VEZES. Se perceber que essa tristeza está impregnada, em vez de diminuir, cresce ou estabiliza, não pense duas vezes, procure ajuda em casa, na escola, no serviço, para CVV, para mim, para qualquer pessoa, entendeu? 

Provavelmente eu não conheço você e nem você a mim, leitor, contudo algo que tenho certeza é que tanto eu como você somos importantes para as pessoas ao nosso redor, para o mundo. É claro que de vez em quando recebemos broncas das pessoas que nos importamos/gostamos, nos decepcionamos com elas também, mas… Ninguém é perfeito, certo?  

Aonde eu quero chegar com essa conversa? Quero convencer você do seu valor para a sua família, para a sociedade, para si próprio. Você é você. Pensa, só um pouco, não dói. Não existe ninguém neste vasto mundo igual a você. Alguém com o seu nome, com as suas características físicas, aptidões, defeitos, gostos (musicais, literários, teatrais). Somos únicos e isso é DEMAIS! Porque cada um de nós somos um pedaço do grande mosaico que constitui o mundo. 

Posso estar delirando, mas quando eu paro e penso nisso eu fico muito encantado e feliz por fazer parte deste mundo que mesmo com tantos problemas, eu estou vivo, e respiro, e posso cantar, e dançar, e ver os doramas que gosto, e estudar minhas matérias preferidas, comer, passear, e viajar, enfim tudo isso. Independente da religião, eu agradeço por cada segundo de vida e eu gostaria de espalhar o meu sentimento com vocês e, quiçá, influenciá-los com essa visão também. 

Bom, chegamos ao término de mais uma matéria do mês amarelo, eu espero que tenham gostado e que assistam ao lakorn, vale super a pena, abre debate sobre muitas questões e reflexões de assuntos que nos permeiam. Só pra relembrar: precisando de qualquer ajuda, é só ligar para 188 ou acessar pela internet. Aqui no nosso site também há um espaço para que você desabafe anonimamente ou não. Lembre-se: estamos aqui para ajudar você.  

Boys Love Brasil, ame quem você é.  




Kawê Oliveira
Kawê Oliveira
Olá, me chamo Kawê e faço parte da equipe da BLB. Sou colunista e tradutor, é um prazer imenso poder auxiliar na produção de conteúdo asiático e LGBT acima de quaisquer divergência de opiniões. Fico por aqui, um grande beijo e aquele abraço.
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