A China está, cada vez mais, crescendo em todos os aspectos como na economia e na política, no entanto, mesmo com toda essa expansão geopolítica no âmbito internacional, o país ainda traz resquícios de uma cultura um tanto quanto exótica.

Não é de hoje que se tem conhecimento sobre as iguarias servidas não somente no Grande Dragão Asiático, mas também em outras nações do Oriente, e que muitas vezes gera certo estranhamento para indivíduos pertencentes a outras culturas como a ocidental, por exemplo. 

Apenas para elucidar o raciocínio, na China é comum, segundo relatos, o consumo de carne de cachorro; já na Tailândia, é totalmente “normal” encontrar espetinhos de animais como escorpião e aranha nas feirinhas frequentadas por turistas estrangeiros.  

Saindo agora um pouco do campo gastronômico, você já ouviu falar do Templo dos Ratos na Índia? Pois é, lá, os indianos possuem um templo dedicado aos pequenos roedores onde você jamais pode maltratar nenhum deles, ouviu? Assim como espantar uma vaca, caso ela entre em sua residência. E se ela defecar? Puxa vida! Muitas bênçãos hão de vir para você, companheiro.

Agora, cá pra nós, brasileiros, é correto julgarmos uma prática cultural de outro povo? Dou 5 segundos para você pensar!

Bem, eu espero que a resposta tenha sido negativa, mas calma, não tente tirar conclusões precipitadas acerca do meu texto, caro leitor, gostaria apenas de estender um pouco mais a nossa conversa sobre toda essa “confusão” que tem tomado conta das mídias sociais. 

É claro que há certas “práticas” ou “rituais” religiosos (ou não) que possam causar determinado estranhamento para culturas excêntricas, porém não é ético julgar ou até mesmo atacá-las, uma vez que você não é obrigado a praticá-las. 

Nesse momento, tenho quase certeza da conclusão que você, leitor, deve ter tirado: “Tudo bem, devo respeitar todas as culturas igualmente, mesmo que as práticas deles possam afetar a minha saúde”. Não! 

Agora sim vamos falar um pouco sobre o Coronavírus. 

Antecedentes

Diferente do que eu e até mesmo alguém deve ter imaginado, o “Coronavírus” não é um vírus com formato da cerveja “Corona” comercializada aqui no Brasil, brincadeiras à parte, a nomenclatura refere-se a um grupo de vírus que infectam tanto humanos quanto animais. Os efeitos são variados, podendo causar desde um simples resfriado até a morte. 

Antes de conversarmos sobre o 2019-nCoV, nome técnico dado ao vírus atual, voltemos para 2002, ano em que o mundo moderno teve o primeiro contato com esses seres. 

Em novembro daquele ano, na província de Guangdong, na China, um coronavírus de um mamífero de pequeno porte denominado civeta começou a ser transmitido entre os homens numa fazenda dali próximo. Um dos infectados atendidos no hospital local viajou até Hong Kong, transmitindo, então, para toda a cidade. 

O resultado foi catastrófico, uma vez que resultou numa epidemia global, atingindo mais de 20 países, deixando um saldo de quase 800 mortos. 

A doença foi nomeada SARS (do inglês para síndrome respiratória aguda grave) e foi contida graças à atenuação da passagem do vírus para outros organismos, de alguma maneira, quando o vírus era transmitido para uma segunda pessoa, a força com que atingia era menor. 

Em 2012, outro parente da espécie se manifestou, desta vez, na Arábia Saudita, porém diferente do primeiro surto, em 2002, agora a forma de transmissão era feita a partir do contato com resíduos provenientes de dromedários.

Devido a sua transmissão um pouco mais intrínseca, a doença ficou restrita quase que totalmente a região do Oriente Médio, com total de 80% casos. No entanto, a letalidade desta foi maior, já que dos mais de 2.400 casos registrados, houve 858 mortes (quase 35%). 

2020

O 2019-nCoV foi registrado novamente na China, todavia em outra região, agora na cidade de Wuhan, província de Hubei, uma megalópole com mais de 11 milhões de habitantes, trata-se de um grande centro econômico chinês e é conhecida pelos seus “mercados úmidos”, isto é, locais onde são comercializados animais (dos mais variados tipos) e que, muitas vezes são abatidos e tem seus resíduos despejados incorretamente. 

Esse tipo de comércio é muito comum nos países asiáticos e o motivo principal para sua ocorrência é a procura por produtos frescos. A causa exata para a contaminação ainda é desconhecida, porém muitos acreditam que esses locais sejam os responsáveis pelo aparecimento do vírus.

Há muitas icógnitas para serem descobertas, mas com o repertório das duas antigas crises, muitas hipóteses foram aceitas e também descartadas, por exemplo, acredita-se que esse coronavírus esteja no caminho entre aqueles que afetam animais e seres humanos. Tudo agora depende da confirmação sobre a origem desse novo vírus.

Comunidade Internacional

Há divergências na OMS (Organização Mundial da Saúde) sobre declarar ou não a situação como uma emergência global, no entanto, a parte que não considera o caso como uma crise foi a maioria e dessa maneira o órgão, em declaração pública, decidiu não classificar o 2019-nCoV como surto global, sob o pretexto das transmissões terem ocorrido somente dentro da China.  

Emergência ou não, casos da contaminação já foram identificados em países como os Estados Unidos, Tailândia, Coreia do Sul e Japão. 

Há brasileiros espalhados pelo mundo que também estão entre os suspeitos de terem contraído a enfermidade, como o caso de uma criança de apenas 10 anos nas Filipinas. 

Muitos países como França, Eua e Israel estão enviando aviões para expatriar cidadãos da região de Wuhan como medida cautelar.

China

Funcionário desinfectando estação de trem em Wuhan. Foto: CHINA DAILY/ REUTERS

Pressionada pela comunidade internacional e também preocupada com uma iminente queda das exportações, a China já está tomando medidas para conter o avanço da doença por meio da interrupção de transportes para Wuhan, bem como o seu isolamento, além disso, tem fiscalizado com rigor as fronteiras da região a fim de evitar um eventual congestionamento de pessoas.

Não satisfeito, o governo já está com projetos em andamento para a construção de hospitais que irão receber exclusivamente os indivíduos afetados, aliado a isso, está formando uma tropa de profissionais da área da saúde que possuem experiência com a enfermidade para tratarem dos pacientes. 

É importante ressaltar que todo esse surto aconteceu justamente na comemoração do Ano Novo Chinês, período de festividade em todo o país  e também de intensa migração interna, além de ser um momento decisivo para a economia local, pois promove a movimentação da economia por meio do comércio e turismo.

Brasil

O Ministério da Saúde, de acordo com os critérios estabelecidos pela OMS para a identificação de suspeitas, confirmou que as possíveis ocorrência de casos no Brasil foram descartadas, pois não atenderam aos critérios clínicos e epidemiológicos. 

Diferente de países como Estados Unidos, Reino Unido e Indonésia que adotaram um sistema de triagem de passageiros para identificar possíveis estrangeiros com sintomas do vírus, o Brasil não tomará tal posição. 

“A própria Opas (Organização Panamericana de Saúde) disse em um comunicado que não há evidências científicas de que fazer esse tipo de triagem seja uma medida de controle efetiva, porque o paciente pode chegar sem sintomas”, afirmou Croda.

Fontes

AGazeta 

BBC 

UOL