Olá meus bombons de licor, tudo bem com vocês?

Hoje eu trago a resenha de um livro muito especial, que conquistou o posto de um dos meu livros favoritos. Se você ainda não conhecem, lhes apresento “Um milhão de finais felizes”, ou como alguns fãs chamam UMDFN.

 

 

Sinopse: Jonas não sabe muito bem o que fazer da vida. Entre suas leituras e ideias para livros anotadas em um caderninho de bolso, ele precisa dar conta de seus turnos no Rocket Café e ainda lidar com o conservadorismo de seus pais. Sua mãe alimenta a esperança de que ele volte a frequentar a igreja, e seu pai não faz muito por ele além de trazer problemas.

Mas é quando conhece Arthur, um belo garoto de barba ruiva, que Jonas passa a questionar por quanto tempo conseguirá viver sob as expectativas de seus pais, fingindo ser uma pessoa diferente de quem é de verdade. Buscando conforto em seus amigos (e na sua história sobre dois piratas bonitões que se parecem muito com ele e Arthur), Jonas entenderá o verdadeiro significado de família e amizade, e descobrirá o poder de uma boa história.
Fonte: Globo Livros

 

UMDFF conta a história do Jonas, mas na verdade é uma história de amor. Sobre como o AMOR é mais forte do que todas os obstáculos. – clichê? Bom talvez um pouco, mas vamos dizer que é a verdade – Uma história sobre família, mas não aquela em que nascemos, mas sim aquela que nos escolhemos fazer parte.
Este livro mexeu muito comigo de muitas maneiras e perdi a conta de quantas vezes chorei ao ler as palavras do Vitor. – principalmente no final, literalmente uma lição para vida inteira – Estava chorando e ria de uma piada. Ou chorava tanto que sequer conseguia continuar a ler.

 

 

Esse livro trata de tantos questões importantes que eu até fico confusa em como iniciar, mas vamos nessa. Sendo um livro com temática LGBTQI+ ele consegue mostrar grande parte da angústia que a comunidade passa. Em tempos em que existe tanta homofobia histórias como essa, voltadas para um público mais jovem, trazem representatividade e nos ensinam muito sobre respeito e resistência. A própria construção de Jonas como gay, e a sua “saida do armário” desconstrói vários estereótipos e visões de preconceito e promiscuidade que muitos ainda continuam a ter.

 

Um dos pontos mais importantes do livro – se não o mais – é relação com seus pais, e a intolerância por parte da igreja. – Nesse caso a evangélica.
O pai completamente abusivo – retrato de um homem, hostil, grosso e machista – e a mãe religiosa. Trazem uma dinâmica que faz com que muitos leitores se identifiquem, os sentimentos que ela causa no Jonas, de deslocamento, raiva e medo – muito bem desenvolvidos e de suma importância a ser discutida. Os sentimentos de Jonas em relação a Deus e a religião com certeza fazem muitos leitores se identificarem. O relacionamento que ele tem com a mãe, em especial me deixou muito emocionada. achei a resolução desse conflito bonita e realista, ninguém muda do dia para o outro, tudo faz parte de um processo. Além disso, é bom ver o contraste entre esse relacionamento conturbado e o relacionamento de Arthur com os pais, que é bem diferente, mas não deixa de ser problemático.

 

Outro ponto bem interessante é a pressão que Jonas no auge dos seus 19 anos passa para cursar uma faculdade. Ele se sente pressionado pela sociedade, e afins a realizar um curso e seguir uma carreira “séria”. E quando ele vê seus amigos estudando e saindo de casa, sente seu horizonte um tanto quanto limitado, trabalhando de domingo a domingo em uma cafeteria na Av Paulista, e lutando para conseguir um pouco de autonomia e ajudar nas contas em casa.

 

E é claro que eu tenho de comentar sobre “Piratas gays”, Jonas sempre desejou seguir a carreira de escritor, mas nunca se dedicou com a afinco a um plot em questão, pelo menos até a chegada do ruivo barbudo, após conhecer Arthur em um dia de trabalho qualquer, ele desenvolve “Piratas gays” – título temporário – é muito interessante como por meio dessa história, ele retrata o crescimento do personagem Jonas, suas explicações e experiências quanto a ter um relacionamento, mas também as dificuldade de um escritor dando seus “primeiros passos”.

 

 

Sobre o romance em si devo dizer que Jonas e Arthur são um casal muito shippavel, independente de seus conflitos familiares internos e o fato deles serem dois extremos – principalmente na questão financeira – os dois lutam contra todos obstáculos e vão criando seu próprio “mundinho”, reafirmando laços e denominando sua própria família. Antes de encerrar queria deixar a minha frase favorita do livro, “Nem sempre a família que nasce com a gente vai nos entender. Nem sempre eles vão ficar do nosso lado pra sempre. Mas isso nunca vai te impedir de escolher uma família nova.

 

Autor do livro Vitor Martins

 

Um livro que te põe a pensar sobre pressões da juventude, fé, religião, preconceito, e muitas o coloca para “sentir na pele” tudo que os personagens passam, tamanha a identificação. Por hoje é só, beijos e até a próxima.