No meio de toda essa comemoração para o Mês do Orgulho LGBT, trago hoje para vocês uma canção para se refletir, para ouvir e cantar, mais do que isso, orar. Hoje, a gente vai conversar um pouco sobre o single-clipe “Oração” da cantora trans, brasileira e negra Linn da Quebrada.

Tudo começa com um monólogo da própria cantora convocando quem a ouve para um chamado, na verdade, um pedido, uma declaração de trégua, de paz e também de harmonia entre todos, independentemente de sua sexualidade. Linn faz um apelo ao fim da violência contra transexuais.

 “Eu determino que termine aqui e agora, determino que termine em mim, mas não acabe comigo. Determino que termine em nós e desate. E que amanhã seja diferente com elas, que tenham outros problemas e encontrem novas soluções e que eu possa viver nelas, através delas, em suas memórias”.

Linn da Quebrada – Oração

Num cenário afastado da cidade, Linn e um grupo de mulheres trans vestidas todas de branco correm em direção à Igreja para juntas começarem a oração. Num estado de extremo equilíbrio e segurança, elas dançam e cantam ao som de uma melodia extremamente envolvente e suave, com rimas interessantes e que fixam na sua cabeça. 

Imagem: Reprodução

O local que aparenta ser uma Igreja já desativada e com grafites nas paredes, onde provavelmente seria o antigo altar, elas se reúnem numa espécie de coral e clamam alto pedindo paz e amor ao próximo, amor às Trans. Até que em uma das passagens, a mais tocante para mim, ela falam:

Não queimem as bruxas mas que amem as bixas mas que amem.
Clamem que amem, que amem.”

Até que chegando ao fim da oração, as mulheres, unidas, vociferam um efervescente “Amém”, encerrando a canção, mas no clipe, elas continuam olhando para as câmeras, encarando os ouvintes, até que se levantam, mudam de posição e mais uma vez param e nos encaram. E o clipe enfim acaba. 

O single foi lançado em Novembro do ano passado no dia de finados. Esse clipe sai no dia de finados justamente para afirmar vidas e lembrar que estamos vivas. Cada vez mais tenho entendido o meu trabalho como continuação de mim mesma e daquelas que vieram antes de mim, e que assim seguem vivas em nossas vitórias e conquistas”, declara a cantora.

E mesmo quando os artistas que já enfrentam adversidades para afirmarem sua identidade e propostas tentam executar o seu trabalho, eles tem que encarar outros problemas como Linn que ao chegar até o local de gravação que havia combinado e autorizado mediante documentação, a fiscalização apareceu no local e as gravações foram interrompidas por algumas horas, o que fez com que todo o roteiro da artista fosse alterado.

Numa rede social, ela afirma: “Tudo que eu havia planejado teve de ser alterado”, comenta Linn. “O que ficou mais evidente para mim foi que, apesar dos esforços de tornar aquele lugar um espaço seguro, para que pudéssemos viver um ritual de cura e celebração entre nós, o que se mostrou mais urgente foi a disputa territorial. Houve ali uma disputa de território, de um espaço que é público. Ao mesmo tempo sinto que tudo isso tornou aquilo muito mais significativo também. A violência, mais uma vez, se reitera. Por isso tivemos que reinventar forças entre a gente para ocupar e permanecer naquele espaço. O clipe em si foi uma verdadeira ação de ocupar, cuidar e proteger”, declara a cantora.

Se vocês notarem, no próprio clipe em uma das passagens o grupo caminha por uma rua em que há uma viatura com policiais à paisana, o que denota a perseguição e a intolerância ao meio LGBT. Num cenário em que os direitos básicos deles ainda estão em processo de conquista, é necessário, cada vez mais, debater sobre a causa e apoiar artistas com Linn, que fazem toda a diferença em nossa sociedade. 

Confira a seguir o clipe “Oração”:

Referências

Emponderadxs

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