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Bifobia no BBB21: BISSEXUAIS EXISTEM E RESISTEM!

Olá meus bombons de licor, tudo bem com vocês?

Hoje eu vim falar sobre um assunto que dominou todos os tablóides desde o beijo entre Lucas Koka e Gilberto no reality show Big Brother Brasil 2021. A bifobia!

Antes de entrar em mais detalhes, acho que seria interessante apresentar o que é o programa. Desde o final de janeiro, foi iniciada a 21ª edição do reality show BBB, que funciona num esquema semanal de eliminações; o programa tem como enfoque retratar (ser um espelho, entre algumas aspas) alguns dilemas e situações que acontecem na nossa sociedade, e claro, tem o prêmio final de 1 milhão e meio de reais. 

No último domingo, 07/02/21, durante a festa os participantes Lucas Penteado e Gilberto Nogueira protagonizaram o primeiro beijo entre dois homens (N.A: Faço um adendo para um recorte importante, dois homens negros!) da história do reality show, o momento também marcou a decisão de Lucas de se assumir publicamente como bissexual em escala nacional.

Mas, o momento que deveria ser comemorado de forma alegre foi transformado em um verdadeiro show de bifobia, diversos participantes começaram a desvalidar o momento entre os dois dizendo que este se tratava apenas de um jogo de Lucas, que estava “usando” Gilberto para se autopromover, se apropriando de uma bandeira e lutas que não eram suas.

Mas afinal, o que é bifobia? O termo bifobia é utilizado para definir a discriminação contra pessoas que se relacionam afetiva ou sexualmente com mais de um gênero. 

A nós, bissexuais, são atribuídos diversos estereótipos com idéias extremamente equivocadas de que somos “promíscuos”, “indecisos”, que estamos sempre querendo “chamar a atenção” ou apenas “passando por uma fase”, a negação da bissexualidade existe e a invisibilização do grupo é gritante e acontece muito.

A bifobia dentro do BBB:  Dentro da casa, o Lucas sofreu apagamento bissexual, tendo sua orientação posta a prova e em alguns momentos julagada como deslegitima.

“O Lucas quis se promover numa agenda racial e agora que ser promover na agenda LGBT” — Lumena, mulher lésbica.

” (…) Ele tá se explorando numa bandeira, numa parada muito séria” — Pocah, mulher bissexual. 

Essas falas só escancaram o que nós bissexuais falamos sempre, a bifobia vem também de dentro da comunidade LGBTQIA+. Uma pessoa bissexual está propensa duas vezes mais, que uma lésbica ou gay,  a sofrer preconceito, pPlois este vem de duas vertentes, a dos héteros e a dos que fazem parte da comunidade. 

Os homens bissexuais também sofrem mais com esse apagamento, um exemplo real disso foi a Pocah, mulher bissexual, desvalidando o Lucas. Causa uma raiva e um desconforto tremendo você ver pessoas que fazem parte de uma mesma luta que você que sabem como é fugir da hétero normatividade, virando as costas para ele, não olhando nos olhos e não estendendo a mão. E me dói mais ainda em saber que existem pessoas bissexuais que passam por isso agora, pois a bifobia é real, é recorrente e pode estar ocorrendo agora bem aqui, no “mundo real”.

Em um ato de desespero, no meio da festa, Lucas pede um conselho a Lumena (uma mulher que é psicóloga, negra e lésbica) que nega e fica apenas o olhando com desdém. O quão quebrado Lucas estava, o quão desesperado ele ficou ao ser desvalidado, apagado, deslegitimizado por estas pessoas que ele achou que iriam o acolher. Lá dentro do jogo Lucas desistiu do reality, do prêmio, mas aqui fora ele poderia ter desistido da vida. A sensação de não pertencimento, de não aceitação mata bissexuais; a propensão que esse grupo tem para ter problemas psicológicos é imensamente maior, é alarmante.

Não é necessário que falemos disso apenas quando ocorre um caso que abriu o olho da população como no BBB, que é hoje um programa com grande audiência. É preciso falar disso sempre, é necessário que a pauta esteja sempre ema alta, isso tem que ser levado a sério. Quantos “Lucas” nós já não perdemos para bifobia? Para o preconceito? Mais quantos “Lucas” nós vamos perder?

Recentemente eu escrevi uma matéria sobre os dados alarmantes dos problemas psicológicos dos bissexuais, vocês podem conferir aqui: https://boyslovebrasil.com/bissexualidade-nao-e-brincadeira-entenda-os-problemas-psicologicos-da-letra-b/

Felizmente no caso de Lucas ele optou por sua saúde mental, deixou o jogo no qual ele estava sofrendo um abuso psicológico gigante, bifobia e racismo. E voltou aqui para fora, onde foi acolhido e abraçado pelo Brasil!

Como uma mulher bissexual me fez muito mal todos esses acontecimentos, nós sentimos na pele diariamente o que o Lucas sentiu, tocou num lugar muito doído. Mas a todes os bissexuais que estão lendo isso agora, lembrem-se… Sua orientação sexual é válida e vocês são importantes. Fiquem bem meus bombons!

Por hoje é só, beijos e até a próxima!

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