A jovem de apenas 6 anos, Florence Widdicombe, encontrou em seu cartão de Natal um bilhete. Chateada pelo fato de seu presente já ter sido escrito, seus pais contaram para ela sobre o conteúdo da mensagem, a jovem ficou decepcionada. 

O que era para ser mais um feliz natal em família, acabou se tornando um dia triste que marcará para sempre a vida da família britânica, além de abrir possíveis debates e reflexões sobre o tema. 

Ao comprar seu presente de natal na rede de supermercados britânicos Tesco, Florence mostrou ao seu pai, Ben Widdicombe, que seu cartão já havia sido usado. Nele, havia um recado escrito por um possível prisioneiro da penitenciária chinesa de Qingpu, em Xangai.

“Somos prisioneiros estrangeiros na prisão de Qingpu, em Xangai, na China. Somos forçados a trabalhar contra nossa vontade. Por favor, nos ajude e notifique organizações de direitos humanos”, diz o pedido escrito no cartão.

A mensagem supostamente havia sido escrita por um dos presos estrangeiros que estaria sendo forçado a trabalhar. Ainda no cartão, a mensagem dizia para quem o lesse que entrasse “em contato com Peter Humphrey”.

Seguindo as instruções do bilhete, o pai de Florence pesquisou sobre a figura de Humphrey e descobriu que se tratava de um jornalista que, em 2013, havia sido preso na China e condenado em 2014 a dois anos e meio de prisão por quebrar os protocolos da lei de chinesa de violação à vida privada, enquanto prestava serviço para a empresa farmacêutica britânica GlaxoSmithKline (GSK).

Segundo o jornal Sunday Time, Humphrey cumpriu apenas nove meses de sua sentença em Qingpu, após ser libertado. Ele afirma que, ao entrar em contato com outros ex-presos, um deles asseverou ter trabalhado por dois anos produzindo cartões para a rede Tesco

Em entrevista para BBC, o ex-jornalista explica que a prisão abrigava entre 5.000 e 6.000 detidos, que dormiam em beliches em celas para 12 pessoas, com a luz permanentemente acesa e a janela aberta, mesmo em pleno inverno.

A Tesco se diz “chocada” com a revelação e que “imediatamente parou a produção dos cartões na fábrica”. A empresa iniciou uma investigação e suspendeu a venda do produto. “Nós abominamos o uso da mão de obra de presos e nunca teríamos permitido isso na nossa cadeia de fornecimento”, afirmou a porta-voz.

Segundo a Tesco, o cartão teria sido produzido numa fábrica chamada Zheijiang Yunguang Printing, que passou por uma auditoria independente em Novembro e não foi encontrado nenhum elemento que sugerisse a realização de trabalhos forçados.

Se for comprovado que a fábrica chinesa utiliza mão de obra de presos, para Tesco, a situação implica quebra de contrato e a empresa será banida de sua lista de fornecedores.

Pequim nega todas as acusações e assevera que todas as acusações são “falsas”.

Questionado sobre a presença de trabalhos forçados na prisão, o presidente da fornecedora do cartão de Natal, Lu Yunbiao, refutou duramente tal acusação. Segundo o mesmo, reiterou que a empresa segue a risca todas as leis do país e que todas as suas mercadorias são produzidas por trabalhadores chineses. 

A prisão, inaugurada na década de 90, é tida como um modelo a ser seguido na China, pois se trata de uma espécie de “plataforma de intercâmbio cultural”, possuindo estrangeiros entre os detentos. 

A penitenciária alega que os detidos recebem “cursos de direito, de moral, de cultura e de trabalhos manuais” e que, após serem libertados, se tornam “artesãos” especializados em esculpir jade. Muito embora, a realidade parece ser diferente, uma vez que em 2017, o mesmo presídio foi qualificado como “uma empresa subcontratada para interesses privados”, cujos detentos recebiam no máximo 120 yuanes por mês, o equivalente a 68 reais.

Casos análogos a esse já ocorreram em anos passados. Em 2014, por exemplo, foi encontrado um bilhete dizendo: “Trabalhamos 15 horas por dia e a comida que comemos não é nem dada a cães ou porcos”; já em 2017,  outro pequeno texto escrito em chinês, que também se encontrava numa caixa de cartões natalinos, dizia: “Desejo-lhe sorte e felicidades. Loja de terceiro produto, prisão de Guangzhou, no distrito seis”.

— Existem injustiças no mundo e pessoas em situação difícil, e sabemos disso pelo que lemos todos os dias. Mas há algo especial nessa mensagem chegar à nossa casa no Natal, que realmente a torna muito comovente e muito poderosa — afirmou Ben Widdicomb à BBC, acrescentando que há “um grande elemento de sorte”, uma vez que muitos cartões acabam esquecidos em gavetas ou nunca são abertos.  

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