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Jack Frost e o desejo de ser Deus!

Olá, menines. Hoje vamos falar de Jack Frost, produção BL japonesa de 2023, em seis episódios pela MBS. Uma série dramática dirigida por Yasukawa Yuka e Takahashi Natsuki. Estrelando Honda Kyoya (Okusawa Ritsu) e Suzuki Kosuke (Ikegami Fumiya) um ilustrador e um vendedor que vivem uma relação amorosa desgastada e que a partir de um acidente, ocasionado por uma briga entre eles, pode recomeçar.

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Sinopse: Okusawa Ritsu (Honda Kyoya) é um ilustrador que conhece o vendedor Ikegami Fumiya (Suzuki Kosuke) em uma cafeteria. Os dois homens iniciam uma amizade que logo se torna um relacionamento romântico. Eles são felizes juntos. Mas em um fatídico dia de inverno, eles brigam e Ritsu diz que irá romper o relacionamento. Mas depois que ele sai, Ritsu se envolve em um acidente e fica ferido. O acidente parece tê-lo deixado com grave perda de memória… Assim, Ristu afirma que não consegue se lembrar de seu relacionamento com Fumiya. E ele não consegue se lembrar de ter terminado com ele. Fumiya decide começar seu relacionamento com Ritsu novamente da estaca zero — esperançoso de que isso signifique que eles não terão que terminar. Ele será capaz de conquistar o coração de Ritsu novamente? E eles conseguirão evitar um rompimento… uma segunda vez?

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Jack Frost é uma história de amor contemporânea com uma pitada de fantasia. A história acompanha o relacionamento de Ritsu e Fumiya que já vivem há um bom tempo juntos, mas que com o tempo e a convivência sua relação vai se desgastando e eles passam por uma crise. Muito comum na vida de qualquer casal. E isso acaba gerando uma separação que não tem tempo ao menos de durar. Ritsu sofre um acidente depois da briga e perde a memória.

Fumiya vê nesse acontecimento a oportunidade de um resert, de começar tudo de novo, mas com o diferencial de que ele se lembra dos erros e acertos entre ambos e poderia evitar, corrigi-los. Isso é interessante porque é algo extremamente comum entre nós, o desejo de recomeçar e corrigir nossos erros, o que não é possível. Como Fumiya temos a vontade de brincar de deuses, de termos o poder de conduzir e modelar nossas vidas conforme nossas escolhas, a partir de um conhecimento prévio sobre ela.

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Pegar esse desejo humano e abordar no BL foi uma escolha interessante e diferente, não o esquecimento, mas brincar com esse nosso delírio de grandiosidade. Fumiya não deixava isso claro, ou o fez de caso pensado, ao menos não conscientemente, dessa forma. Ele justificou tudo pelo amor que ele sente ou sentia por seu amado. Mas no fundo era o desejo de ser Deus. De ser senhor de sua vida e de seu destino.

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Para ele realizar tal empreitada é necessário erguer uma mentira já que ele sabia de toda a verdade, mas Ritsu não. A história entra em uma questão ética, mesmo não falando claramente, que é o fato de ele fazer de seu amado um fantoche de suas atitudes e escolhas. Além de julgar que ele (Fumiya) podia e deveria escolher por Ritsu, não dando a ele a oportunidade de si opor ou aceitar o que o outro estava fazendo.  Na verdade, o desmemoriado foi enganado e traído.

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Fumiya não confiava em Ritsu, tanto que ele não cogitou contar a ele. Ao contrário quis mentir para que pudesse corrigir os erros do amado que ele mesmo apontou na briga antes do acidente. Gostei muito dessa escolha. Tem total conexão com a realidade não ficcional, pura verossimilhança. Não só os casais, mas nós no geral, queremos fazer isso e muitas vezes fazemos. Decidimos pelo outro, ou outra, achamos que nossas escolhas são melhores e que nós podemos dar um rumo melhor para a vida de outros. Mesmo que nossa escolha seja bem-sucedida ela entra em choque com a liberdade de escolha de cada pessoa.

 Obviamente que Fumiya descobriu que não é tão fácil brincar de Deus. As coisas não são tão fáceis e é melhor, diante de um problema, enfrentá-lo do que tentar fugir ou buscar um desvio para ele. Porque apesar de tudo que ele fez, as escolhas de Ritsu acabaram revelando a verdade. E temos um final feliz.

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A história é muita gostosinha, “simples” e familiar. Nos traz reflexões que talvez a gente não perceba à primeira vista. As atuações são boas, boa direção, fotografia bonita. O Japão faz o que sabe fazer, produções de qualidade. A maioria das cenas em ambientes fechados e controlados. É uma série para você passar o tempo e que não vai criar sobressaltos, vai apresentar uma narrativa viva e familiar.

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Eu super recomendo a série. Vale a pena ver. Se ainda não viu, faça isso, se já viu nos conte o que achou dela e da resenha. Beijos de luz!!!

John

Professor, maranhense, cofundador da BLB. Formado em Letras, cursando Sociologia. Amante dos livros, não necessariamente leitor, e BL. Escrever é consequência. "Tu és o louco da imortal loucura, O louco da loucura mais suprema. A Terra é sempre a tua negra algema, Prende-te nela a extrema Desventura." (Cruz e Sousa)

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