Lésbica
substantivo feminino
mulher que tem preferência sexual por ou mantém relação afetiva e/ou sexual com outra mulher.
Origem
⊙ ETIM top. Lesbos + -́ica
Semelhantes
lésbia, lesbiana, safista.

Somos mesmo apenas isso? Que tal um pouco de história?
A palavra lésbica vem do grego, para ser mais precisa, de uma ilha chamada Lesbos que fica em algum lugar do Mar Egeu — que literalmente significa natural da ilha de Lesbo — historicamente falando, tudo começou com Sappho e suas obras.

Sappho foi uma poetisa que nasceu em algum momento entre 630 e 612 a.C. suas escrituras falavam sobre o amor entre mulheres e a beleza feminina, embora a maioria de suas escrituras tenham sido destruídas (alguns especulam que tenha sido intencional), é um fato de que na Grécia Antiga, o relacionamento homossexual não era considerado imoral ou estranho, e que homens e mulheres tinham relacionamentos entre si, ao mesmo tempo que entravam em um “relacionamento heterossexual de respeito”, ou seja, Sappho era definitivamente lésbica no sentido de que ela era de Lesbos, mas se ela era ou não lésbica, no sentido de ser gay ainda é debatido.

Em minhas pesquisas (e acreditem foram muitas), a falta de documentação histórica sobre a homossexualidade feminina foi extremamente evidente. Como sempre, no começo da história o romance entre mulheres foi diversas vezes invalidado e/ou considerado inofensivo. Uma das primeiras aparições do termo foi lá no final do século 19, quando os primeiros sexólogos começaram a categorizar e distinguir as lésbicas como mulheres que não aderiram aos papéis de gênero feminino e as designaram incorretamente como doentes mentais — uma designação que foi revertida na comunidade científica global. As lésbicas não foram incluídas no parágrafo 175, um estatuto alemão que tornava os atos homossexuais entre homens um crime. O Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos estipula que isso ocorreu porque as mulheres eram vistas como subordinadas aos homens, e que o Estado nazista temia lésbicas menos do que homens gays.

Logo depois da Segunda Guerra Mundial, a disponibilidade de informação continuava pouco disponível sobre a homossexualidade além dos textos médicos e psiquiátricos. Os locais de reunião da comunidade consistiam em bares que geralmente eram invadidos pela polícia uma vez por mês, mais ou menos, e os presos eram sempre expostos nos jornais. Em resposta, oito mulheres em São Francisco se reuniram em suas casas em 1955 para socializar e ter um lugar seguro para dançar. Quando decidiram fazer uma reunião regular, tornaram-se a primeira organização de lésbicas nos EUA, intitulada Daughters of Bilitis (DOB), filhas de Bilitis em português.

O DOB começou a publicar uma revista intitulada The Ladder (a escada) em 1956. Dentro da capa de cada edição estava a declaração de sua missão, a primeira sendo a “Educação das variantes”. O objetivo era fornecer às mulheres conhecimento sobre a homossexualidade – especificamente relacionadas a mulheres e lésbicas famosas da história. No entanto, em 1956, o termo “lésbica” tinha um significado tão negativo que o DOB ​​se recusou a usá-lo, escolhendo o termo “variante”.


O DOB se espalhou para Chicago, Nova York e Los Angeles, e The Ladder foi enviado para milhares de membros do DOB ​​discutindo a natureza da homossexualidade, às vezes desafiando a ideia de que era uma doença, com os leitores oferecendo suas próprias razões pelas quais elas eram lésbicas e sugerem maneiras de lidar com a condição ou a resposta da sociedade a ela.


A rigidez social da década de 1950 e início da década de 1960 enfrentou uma reação oposta à medida que os movimentos sociais para melhorar a posição dos afro-americanos, pobres, mulheres e gays se tornaram proeminentes. Entre os dois últimos, o movimento pelos direitos dos gays e o movimento feminista se conectaram após um confronto violento na cidade de Nova York nos motins de Stonewall em 1969. O que se seguiu foi um movimento caracterizado por uma onda de ativismo gay e consciência feminista que transformou ainda mais a definição de lésbica. No entanto, com o chegada da segunda onda do feminismo, lésbica como identidade política cresceu para descrever uma filosofia social entre as mulheres, muitas vezes ofuscando o desejo sexual como uma característica definidora. Uma organização feminista militante chamada Radicalesbians publicou em 1970 um manifesto intitulado “A mulher identificada pela mulher” que declarou “Uma lésbica é a raiva de todas as mulheres condensadas ao ponto de explosão”. As feministas militantes expressaram seu desdém por uma sociedade inerentemente sexista e patriarcal, e concluíram que a maneira mais eficaz de superar o sexismo e alcançar a igualdade das mulheres seria negar aos homens qualquer poder ou prazer das mulheres.


Por fim concluo que a história sobre a comunidade lésbica é profunda, que não se vê a “olhos nu” que não é o que parece, é uma história escondida que está sendo descoberta e desenterrada por mulheres que cansaram de ser desacreditadas, mulheres que cansaram de ouvir perguntas como “Quem é o homem da relação?”

Fontes: Wikipedia; Article: The History Of Lesbian History – Martha Vicinus