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O outro lado das Filipinas: violência policial e genocídio

Kumusta pessoal! Hoje falaremos de um assunto um pouco mais sério, porém necessário. Como todos vocês, que acompanham a BLB, sabem que o boom das séries BL Filipinas foram a grande novidade deste ano e elas já ocupam espaço no coração de todo Blzeire. Devido a todo o destaque que as Filipinas tiveram esse ano é oportuno falarmos de uma situação grave que o país enfrenta, o outro lado das Filipinas que poucos sabem: a violência policial e o desrespeito dos direitos humanos por parte das autoridades.

Começaremos falando sobre o fato que desencadeou a última grande onda de indignação contra a violência policial no país, que aconteceu no dia 20 de dezembro na cidade de Paniqui, na ilha de Luzon. Segundo a mídia filipina, um policial fora de serviço discutiu com seus vizinhos por estarem soltando fogos de artifício caseiros, devido ao fato de que soltar fogos está proibido na temporada de férias no país, o policial chamado Sgt. Jonel Nuezca, ameaçou prender seu vizinho Frank Anthony Gregorio, um jovem de 25 anos; sua mãe (Sonya Gregorio, 52) desesperada abraçou o menino e não quis deixar prendê-lo, o policial armado iniciou uma discussão com a mãe e o jovem e outros membros da família do menino, a discussão começou a ficar cada vez mais acalorada até que o policial atirou a queima roupa na mãe e no filho, os dois vieram a óbito. 

Ilustração em homenagem à mãe e seu filho, assassinados esse final de semana nas Filipinas, por um policial.

O fato não é um caso isolado no país que vêm observando a violência policial crescendo de forma ascendente desde 2016, quando o atual presidente Rodrigo Duterte, do partido PDP-Laban, foi eleito impulsionado pela plataforma da guerra às drogas; o político desde o início de seu mandato já deu várias declarações polêmicas, que despertaram o rechaço local e da comunidade internacional, entre elas declarações homofóbicas, misóginas e mensagens de ódio. Nos primeiros dias de mandato, o presidente se comprometeu em blindar tanto a polícia quanto o exército de possíveis punições pelos atos destes, o resultado disso é um verdadeiro genocídio contra a população filipina deste então.

Rodrigo Duterte, atual presidente das Filipinas, responsável por implementar a atual guerra às drogas no país que já matou milhares de pessoas.
Foto: Reuters/Reprodução

No país, tanto usuários quanto narcotraficantes podem ser presos se forem pegos portando drogas, porém o que se viu foi um número enorme de pessoas sob suspeita de serem dependentes químicos serem mortos pela polícia, os agentes se vêem encorajados pelos próprios discursos de Duterte que já chegou a se comparar com Hitler uma vez dizendo: “Hitler massacrou três milhões de judeus. Agora, há aqui (nas Filipinas) três milhões de viciados. Gostaria de matá-los todos”.

O presidente, antes de concorrer e ganhar as eleições para o cargo máximo do país, foi prefeito da cidade de Davao por 22 anos consecutivos e promoveu um verdadeiro esquadrão da morte nessa cidade, relatórios de direitos humanos afirmam que mais de 1.400 assassinatos extrajudiciais foram reportados entre 1998 e 2016 na cidade, a maioria das vítimas eram usuários de drogas, infratores de pequenos delitos e crianças de rua. O presidente já expressou seu total desprezo pelos direitos humanos e o país vive uma onda recente de prender ativistas que lutam pela causa.

Não são somente os usuários de drogas os alvos da violência policial no país; os militares e a polícia também têm atuado especificamente contra ativistas políticos e defensores dos direitos humanos, jornalistas, membros da oposição política, críticos do governo, advogados, sindicalistas, ambientalistas e ativistas de povos indígenas, transformando-os em alvos de ameaças e execuções extrajudiciais.

Protesto contra o Governo Duterte e a política antidrogas sanguinária das Filipinas, em 2017. Foto: Reprodução

A comunidade internacional no entanto tem começado a agir contra todos os abusos cometidos por parte do Governo Duterte, nesta semana o Tribunal Penal Internacional (TPI) disse ter encontrado uma “base razoável” de crimes que lesam a humanidade nas Filipinas. O promotor do TPI, Fatou Bensouda, disse que a guerra de Rodrigo Duterte contra as drogas incluiu assassinatos, tortura, lesões físicas graves e danos mentais. Mas ainda não se sabe se a investigação, que está em fase preliminar, se tornará uma investigação formal em breve, devido às restrições ocasionadas pela pandemia de Covid-19. O Escritório planeja chegar a uma decisão, com relação a se deve solicitar autorização para abrir uma investigação sobre a situação nas Filipinas, no primeiro semestre de 2021.

O TPI abrirá uma investigação se ficar provado que o sistema de justiça filipino não foi capaz ou não quis processar os responsáveis ​​pelas mortes na guerra contra as drogas, na qual, segundo dados oficiais, cerca de 8.000 suspeitos foram mortos em operações policiais.

No entanto, grupos de direitos humanos elevam essa cifra para cerca de 30 mil vítimas mortas pelas forças policiais ou por pistoleiros em ajustes de contas, aproveitando o clima de impunidade no país, já que o próprio presidente tem incentivado o fuzilamento de qualquer suspeito de consumir ou traficar drogas.

Nesta segunda-feira, a Human Rights Watch (HRW), principal ONG internacional de defesa dos direitos humanos, muito criticada por Duterte; se pronunciou sobre o caso do assassinato da mãe e do filho pelo policial, dizendo que o caso ocorreu em um ambiente incentivado pelo presidente Rodrigo Duterte: ‘‘Aconteceu no contexto de um ambiente propício para a violência policial que o próprio presidente Duterte encorajou. Inúmeras vezes Duterte desculpou a má conduta da polícia e prometeu deixá-los fora de perigo”.

Essa foi uma matéria forte, mas necessária para conhecermos esse outro lado das Filipinas.

Um fato que me chamou atenção ao escrever essa matéria, são as semelhanças entre as FIlipinas e o Brasil atual, os dois presidentes são considerados machistas e homofóbicos, exaltam as forças policiais e não tem nenhum apreço pelos direitos humanos; a diferença é que Bolsonaro não tem muito apoio político, nem jurídico, ao contrário do presidente filipino. Porém a violência policial no nosso país ainda é gritante e as maiores vítimas desta são a população pobre, da mesma forma que nas Filipinas. Por isso creio que os brasileiros entendem perfeitamente e podem se solidarizar com a atual situação filipina. Espero que a denúncia do TPI vá para frente e que o presidente genocida filipino seja julgado e condenado pelos seus crimes de lesa humanidade. Até a próxima!

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Nannypédia

Obrigado pela matéria e por estarem divulgando esse assunto entre os fãs de BL.

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