Olá, pessoal, como estão?

Vamos iniciar mais uma conversa sobre as produções Boys Love (BL) e, desta vez, discutiremos sobre Lakorns.

Alguém aí acompanhou 2gether The Series? Bom, se você esteve por fora do universo doramático nos últimos meses ou é novo neste ramo, fica a dica.

É um fato que a visão do senso comum para o mundo gay ou uma relação homoafetiva (que seja), o cara que apresente feições mais sérias ou mais másculas é sempre associado ao seme (ativo), enquanto aquele com características mais delicadas e personalidade vaidosa seja classificado como uke (passivo). Acontece que, infelizmente, na maioria das obras Boys Love (ou yaoi) esse estereótipo é confirmado, no entanto, no mundo real não é bem assim. 

Toda vez que toco neste assunto gosto de mencionar um vídeo fabuloso do canal “Põe na Roda” em que os apresentadores vão às ruas fazer enquetes sobre o que as pessoas acham sobre um determinado cara: “é ativo ou passivo”. E na maioria das vezes, senão todas, elas erram. É engraçado, mas ao mesmo tempo preocupante e triste, porque estereótipos nunca são legais e isso permite verificar uma certa ignorância que se faz presente tanto na sociedade no geral quanto no próprio segmento LGBTQIA+.

Vídeo que mencionei

No entanto, hoje vamos falar sobre essas personagens mais afeminadas dos doramas que quase sempre nos fazem rir, na verdade, por que será que nos divertimos tanto com elas? Por que será que as séries Boys Love não somente tailandesas têm essas características? Se você tem um palpite, por favor, não deixe de comentar! Sua opinião é sempre bem vinda.

Hoje trouxe duas personagens que marcaram a minha experiência como telespectador de BL’s, claro que aqui preciso fazer parênteses sobre a presença quase que constante de personagens aparentemente trans, contudo, nesta conversa não tenho a intenção de me aprofundar nelas. Irei apenas comentar sobre figuras que apresentam características femininas e, dessa forma, são “menosprezadas” ou tornam-se motivos de risadas. 

Cristina – Make it Right (2016)

Faz um pouco de tempo que assisti a esse dorama, mas uma das personagens mais marcantes para mim foi a Cristina. Na verdade, seu nome era Yok, no entanto, quando estava na escola ela gostava de ser chamada pelo seu nome artístico. Ela sempre foi uma pessoa doce e bastante alegre. Foi interpretada por Ao Sutiwas, um tailandês muito fofo. 

Bem, durante a primeira temporada, as suas aparições foram moderadas, porque não era o foco da série. No entanto, posso elencar algumas passagens em que ela aparece com sua melhor amiga e que eram cômicas devido ao jeito que elas se expressavam e por esse motivo quase sempre eram alvo de brincadeiras dos amigos de Fuse.

Brincadeiras que não sei se de repente haverá um consenso aqui do grau de relevância pelo fato do dorama ser escolar e, também pelo fato de que tenho a impressão que mesmo a expressão “bullying” ser algo da contemporaneidade, cada vez mais, parece ter se tornado algo “clássico” ou “comum” em filmes escolares, não fico aqui restrito a um determinado país ou algo do tipo, é como se fosse padronizado, por exemplo, em séries (orientais ou não) que em toda escola de ensino médio o menino que é gay (afeminado) assumido ou não seja alvo de piadinhas ou brincadeiras ou até mesmo violência e está tudo bem para todo mundo essa situação.

Enfim, o fato é que ela e o Lukmo, personagem interpretada pelo carismático e dançarino Nice, um dos amigos de Fuse, acabam formando um casal na segunda temporada. Algo que surpreendeu grande parte dos fãs a qual me incluo, porque não esperava que justo o “líder” da gangue fosse se apaixonar perdidamente (amores da adolescência) por Cristina.

Tá, o que gostaria de comentar? Essa questão de um cara que é ou era, enfim, hétero se apaixonar pelo gay assumido já se tornou um clichê. Fato. No entanto, não sei se casos assim acontecem na realidade (eu acho difícil), mas o jeito como as personagens associadas ao “passivos” da relação reagem a essa mudança abrupta de comportamento me assusta.

Porque dá a impressão de que são pessoas carentes e que se porventura o rapazinho hétero não caísse da cama ou acontecesse algo extraordinário que o fizesse mudar totalmente a sua visão de mundo e decidisse flertar com elas, essas pessoas com personalidades “menos viris” ficariam à deriva.  

Isso até me lembrou de uma curta tailandesa que mostra claramente isso, mas ainda que num contexto totalmente diferente que nem é cabível mencionar aqui.

Mas, enfim, por que esses escritores, diretores usam essa receita de bolo (que dá certo) e por que a gente compra?  

Green – 2gether (2020)

Mudando o contexto, vamos agora para 2gether The Series, outro lakorn produzido pela GMMTV que traz um enredo um pouco diferente, mas que tem cativado muitos fãs ao redor do mundo. Para quem acompanhou o lançamento semanal do seriado viu como os nossos protagonistas desenvolveram o seu relacionamento e isso deixou muita gente satisfeita. 

Bem, na verdade, nem todos estão felizes, e Green é um deles. 

Voltando para o primeiro episódio, temos aquela apresentação de Tine como sendo um cara super descolado e xavequeiro que não só é cobiçado por fãs mulheres, mas também homens. Dentre os seguidores do mesmo sexo, têm o primeiro a declarar os seus sentimentos ao ídolo, ele é Green. 

Green, interpretado pelo maravilhoso e lindo Korawit, desde o começo da série se mostra uma pessoa muito bacana. Ele desde o dia que confessou o que sentia por Tine, nunca desistiu de tentar conquistá-lo. É claro que mesmo sendo uma ficção, nem sempre as personagens terão os seus amores correspondidos, aliás, isso é muito corriqueiro inclusive em triângulos amorosos, por exemplo.

Mas, retomando o nosso raciocínio. A partir deste “impasse”, visto que Tine não é gay. Ele não consegue dizer de início que um futuro relacionamento entre ambos não seria possível, já que ele, acima de tudo, não sente atração por homens. 

A questão é que o gênero Boys Love tem uma peculiaridade que até eu não sei muito bem elucidar. Mas, gostaria de ao menos tentar. É como se as personagens afeminadas, como o Green não pudessem ter relacionamentos amorosos com personagens discretas ou no mínimo “héteras”. 

Vejam bem, quando Tine descobre que seu posto de “Senhor Chic” foi surrupiado pelo novo aluno Sarawat, ele e seus amigos têm uma maluca ideia de pedir para que ele fosse o seu namorado fake somente para “esclarecer” ao Green que eles não poderiam ter um relacionamento.

Eu me pergunto, por exemplo, se Green também fosse “hétero” e mesmo assim declarasse os seus sentimentos por Tine. Será que a história ainda seria boa? Será que Tine também iria dar um fora nele?

Outros comentários que considero plausíveis são: não é ser cruel o suficiente fingir um relacionamento somente para afastar alguém que não goste? Por que será que as pessoas receberam tão bem esse enredo?

Bom, palpites tenho vários, no entanto, a gente pode notar que mesmo quatro anos depois das grandes obras pioneiras do segmento BL asiático, essa receita de bolo ainda é usada e obtém muito sucesso, particularmente considero muito curioso.

Principalmente pelo fato de relembrar que muitos, se não todos os doramas LGBTQIA+ são fruto de escritoras que enxergam uma relação homoafetiva como algo “fofo”, “bonito”, “louvável”, mas ao mesmo tempo é como se também vissem a categorias LGBTQIA+ como um produto que vende bem (na verdade é o que acontece). 

Mas, o que tudo isso tem a ver com Cristina e Green. Bem, eu sei que como fã de BL a gente tem uma tendência a gostar do clichê, porque cativa. Doramas escolares, doramas universitários, doramas da engenharia, enfim, mas acho que deve haver um certo limite no sentido de você entender o que está sendo representado e que vem sendo, a cada obra lançada, normalizado. 

Não é legal você categorizar personagens que possuem personalidade femininas como o passivo da relação, você está sendo tóxico. Parece hipocrisia da minha parte, mas de tempos para cá, tento assistir a cada filme ou série asiática que me aparece de forma mais consciente. Qual o problema de ter prazer em ver um dorama BL com discernimento?

“Poxa, sei que isso aqui é ficção, mas será que não passou um pouco dos limites?”

A meu ver, nós fãs precisamos ter apenas uma coisa: consciência do que vemos. E, além disso, nunca romantizar nem normalizar estereótipos que são preconceituosos e patéticos.

Não é irônico o bastante que grande parte do público de doramas BL faça parte justamente do segmento que é “estereotipado” e maltratado? E a representatividade? Cadê a militância em cima disso?

Eu espero não ter comprado haters ou algo do tipo. Com esse texto eu jamais pretendi fazer (como se isso fosse possível) com que você deixe de ver BL, também não vim satanizar nenhuma obra específica, mas sim apenas levantar questões que eu gostaria que fossem também discutidas em memes de facebook, threads de twitter ou até mesmo aquele seu grupo de imagens de atores que você talvez faça parte no WhatsApp.

Continuo reafirmando, acho que podemos sim ser fujoshis e fudanshis conscientes. Podemos sim ter fetiches e gostos peculiares, mas também devemos ter consciência do que estamos vendo e se não gostamos de algo, devemos expor sempre a nossa opinião.

Quero agradecer grandemente quem me acompanhou até aqui, aliás, estava com saudades, desculpem o sumiço! Um beijo e até a próxima. 

Obs: Lavem as mãos, fiquem em casa (se puderem), liguem para seus parentes e assistam doramas!

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