The Normal Heart: para vencer uma guerra você tem que começar uma

Esse filme é o tapa na cara bem dado, repetidas vezes, que todos nós precisamos.

* essa matéria pode conter spoilers*

Dirigido por Ryan Murphy, o filme é estrelado por Mark Ruffalo que atua com uma precisão magnífica o ativista Ned Weeks. No cenário dos anos 80 em Nova York, The Normal Heart conta a história da descoberta do vírus da AIDS. Somos abordados por ambientes leves e descontraídos, a praia, a festa na piscina e o aniversário de um dos amigos de Ned. Mas aos poucos o clima que se constrói vai ficando cada vez mais pesado, e você se encontra tão imerso na obra que anseia as próximas cenas. 

Diante de uma doença misteriosa, Ned viu seus amigos próximos morrerem, e ele sendo passional e apaixonado por eles, não pode ficar calado. Então ele decide entrar em uma jornada de brigas com políticos e até mesmo com seus amigos gays que ele tenta tanto defender. A verdade é que nada se sabe sobre esse ‘novo câncer’, o mesmo que já estava sendo tratada como uma praga gay enviada por Deus. 

Junto com a doutora Emma Brookner – interpretada pela Julia Roberts, uma médica que parece ser a única que se importa com os efeitos dessa doença que estão só a piorar. 

Se uma emoção fosse descrever o roteiro da história, seria raiva. Todos sentem raiva de algo, sejam os fatos distorcidos espalhados pelo prefeito, ou ver seus amigos morrerem e não poder fazer nada, ou a repressão na qual os gays estavam sofrendo depois de tudo que lutaram. Ou raiva pelo fato que levou quatro anos para que a doença que era conhecida como “câncer gay” ganhasse seu próprio nome – AIDS.

A alegria do começo, há tempos esquecido, passa para raiva, e se transforma em um aperto no peito quando vemos a cena de Ned dando banho em seu namorado Felix (Matt Bomer), que já está na fase mais crítica da doença. Ou quando vemos os cartões de Tommy (Jim Parson) com nomes dos amigos que já morreram. Melancolia e solidão são sentimentos que se fazem presente no filme, a cada segundo que se passa, a cada morte. 

A escolha dos atores foi um ponto crucial para o sucesso dessa obra. Cada ator trouxe consigo o melhor para o seu personagem, esqueça Mark Ruffalo em Hulk, ou Matt Bommer em White Collar. Outros nomes fizeram esse filme único, Julia Roberts (Um Lugar Chamado Notting Hill), Jim Parsons (The Big Bang Theory), Joe Mantello (Law&Order) entre muitos. 

Se hoje somos capazes de sair de mãos dadas com aquele que amamos, sem distinção de sexo, ou ser capaz de declarar nosso amor a aquela pessoa mesmo que seja do mesmo sexo, é porque tempos atrás houve gays e lésbicas, trans, drags, que lutaram pelos nossos direitos. E The Normal Heart é um pedido para que não se esqueça do passado ou das pessoas que nele sofreram. Essa obra é essencial e atemporal, que tem o poder de causar desconforto a aquele espectador passivo, pois faz sentir na pele a angústia que é, não só pelo fato do vírus, mas também pela indiferença. 

Em pleno século 20, mesmo com remédios a AIDS afeta 36,9 milhões de pessoas ao redor do mundo, não é um assunto leve, é uma doença que foi menosprezada e causou a vida de muitos. Homens jovens ou homossexuais ainda são as grandes vítimas da doença, e o preconceito continua, a falta de direitos continua. Toda luta que o filme mostra, conseguiu sim mudar o mundo, mas até hoje vemos que a luta não acabou. 

Bem meus amores, espero que tenham gostado continuem conosco e até a próxima.