Ao ler o nome do documentário, com certeza você já ficaria intrigado com a pergunta. E como muitas vezes a curiosidade fala mais alto, nos encontramos sentados na frente de uma tela assistindo a produção dirigida, escrita e editada por Drew Stone, e tentando responder a pergunta Who the fuck is that guy? (Mas que raios é este garoto?)

         Embalado com muita música, venha conhecer a história do empresário musical Michael Alago, que além de trazer sua nacionalidade porto-riquenha para as ruas de Nova York, também se mostrou presente na comunidade LGBT por ser gay. O documentário nos leva a uma maravilhosa jornada do cara que mudou a história do metal rock. E que assinou contratos enormes como Metálica, White Zombie e muitas outras bandas. Michael aterrissou na terra da oportunidade, pois só em Nova York, um porto-riquenho, crescido num bairro chassídico, poderia ser gay e conquistar tantas coisas. Prepare-se para muito rock, uma viagem ao passado do empresário, e como ele conquistou seu império na música, por meio de sua paixão e personalidade.

         Esteja preparado para se deparar com muitas referências musicais e muitos cantores famosos, aqui você encontra depoimentos de John Lydon, Phil Anselmo, James Hetfield, Kirk Hammett, Cindy Lauper e Rob Zombie, bom, e se não conhece o nome desses indivíduos, fica a dica, eles são grandes nomes do cenário musical. Se você gosta de uma boa história, música, arte, Nova York, anos 80, sexo, drogas e rock and roll, esse documentário é algo que você precisa ver. Cada cena é como visitar o passado, você se descobre deslumbrado com a selvageria e rebeldia que dominava a vida e as ruas de Nova York nos anos 80. A vida gay na cidade grande, e como tudo isso influenciou e moldou a vida não só do empresário, mas de muitos também.

         Com muito carisma e comentários engraçados, o documentário gira em torno dos relatos do próprio Michael, e como ele, um gay, movimentou todo o cenário musical da época. O que surgiu sendo apenas um fã clube para uma banda, se tornou sua maior paixão, e o levou a trabalhar nas maiores gravadoras da época, indo do The Ritz, Elektra e Geffen, e pode colocar mais nomes nessa lista. É presumível esperar um filme que representa de forma mais fiel como foi viver nas ruas de Nova York durante os anos 70 e 80, e todo o espírito feroz, ritmo veloz e até o terror da AIDS durante aquele período. Através de uma visão peculiar e fiel ao cotidiano dos integrantes da banda somos inseridos na vida agitada de quem trabalhava com música.

         “Who the fuck is that Guy?” oferece uma visão singular sobre a música independente, o heavy metal, o life style gay, preconceito racial e sexual, o uso de drogas, tudo isso da forma mais leve e engraçada que você possa imaginar. Somos levados em uma linha do tempo que começa em seu primeiro apartamento em Nova York e em como Michael passava todos os dias trancado no quarto apenas ouvindo música. Vemos o seu primeiro trabalho dentro do meio artístico, que foi sendo assistente no The Ritz, e como após disso sua ambição o levou para o topo da cadeia, se tornando uma referencio no meio. 

Todos que descrevem Michael Alago, escolhem as palavras mais carinhosas e afetuosas para ele. Podemos ver que ele tinha tudo na palma da mão, o que no meio do documentário é abordado durante uma das entrevistas, que foi o fato de um gay ser tão bem aceito e bem tratado no meio de um grupo que supostamente deveria seguir o estereótipo de serem machos, agressivos e brutos. Michael comenta que ele não chegou a sofrer muito preconceito no meio, mas que ele acredita que o motivo disso era que todos sabiam que se queriam fama e reconhecimento, Michael era quem eles deveriam “tolerar”. O que nos levou a um comentário do empresário que todos devemos concordar:

Ninguém gosta de ser tolerado, queremos ser respeitados.

         Mas já diria a frase “sexo, drogas e rock and roll”, não demorou muito para Michael ter seus problemas com bebidas e drogas, sem falar que alguns anos depois ele também foi diagnosticado soro positivo. E vale lembrar que naquela época não existia o coquetel de hoje, assim, quem era testado positivo para HIV ganhava uma sentença de morte, sem remédios para ajudar, sem esperança. Vemos relatos emocionantes de seus colegas sobre todas as vezes que acharam que aquela poderia ser a última ligação do amigo. E então surgiu o coquetel, e Michael, que estava na beira da morte, aos poucos foi ganhando vida de novo, e entrou em reabilitação e tratou do seu problema com as drogas e a bebida, saindo do fundo do poço como um novo homem. 

            Após sair de um do piores anos da sua vida, Michael caiu de cabeça no mundo da fotografia e começou a capturar na lente algo que o fascinava. Afinal, nunca foi segredo que Michael tinha um tipo: homens musculosos e viris. E, foi fotografando esse estereótipo que Michael se fez presente também no meio fotográfico, chegou a lançar livros, fazer parte da capa de revistas e exposições.

         O documentário é leve, curto e deixa você na ponta da cadeira, pois a cada cena imagina como seria magnífico estar presente vivenciando os momentos mais históricos da música, já imaginou ver a ascensão do Metálica? Ou melhor, ser a causa da ascensão do Metálica. São histórias que te deixam com aquele gostinho de quero mais. Sim somos abordados pelo olhar realista da época, e a realidade de que nem tudo foi um mar de rosas.

         Se você é um fã do heavy metal, acha os anos 80 um período no mínimo intrigante, gosta de ver a representatividade LGBT na sociedade, ver grandes artistas darem relatos de como foi viver naquela época, esse é um documentário que você precisa assistir! Ele está disponível na Netflix. Recomendo assistir, pois, com certeza eu só consegui descrever a ponta do iceberg sobre como é assistir a jornada de Michel Alago. 

Escrito por: MEG.