Resenha

WISH YOU: O clichêzinho de Sessão da Tarde

Será que Wish You passaria na sessão da tarde?

Aquelas e aqueles mais velhos ainda lembram de vários filmes que tivemos o prazer e o desprazer de conhecer por meio da programação da Rede Globo, na sessão da tarde. Não sei se ainda tá na grade da emissora, mas tínhamos a chance de ter contato com aquelas produções que não eram, exatamente, as melhores, mas nem por isso as piores, apenas medianas, quanto muito.

Claro que é necessário levar em consideração que pelo horário e o público havia a necessidade de um nivelamento do que podia ou não ser exibido. No geral, o material buscava divertir, entreter, quebrar a monotonia do dia, uma programação familiar. As comédias românticas faziam a festa.

Como já passei dessa fase de pobreza e assisto Netflix agora, tive a chance de me deparar com “wish you” no catálogo desta senhorinha já quase no cair da madrugada. E, justamente pelo horário e o sentimento de buscar algo leve para encerrar a noite, e por se tratar de produção asiática “BL, me aventurei. Emoções parecidas se tinha com a sessão da tarde em outros contextos. Mas antes vamos apresentar o enredo de nossa história.

Wish You

O filme acompanha a vida de dois jovens, pelo menos mais que eu. Sang-I (Sang Lee), o introvertido, amigável, tímido e gentil; In-Soon (Kang In-Soon), descolado, desenvolto, extrovertido. O pano de fundo da história é o ambiente musical, ambos estão envolvidos no mundo da música: tocam, cantam e compõe. Toda a narrativa se dá entre o desejo de alcançar o sucesso no meio musical por parte de In-Soon, a concretização do desejo de forma final ou parcial. Esses são os polos iniciais e finais do filme.

Se a gente observa a caracterização das personagens pode perceber o típico dos romances héteros transportados para os gays: a figura do masculino e feminino. Normalmente nas produções que não são LGBTQIA+ e tratam do amor de um casal há essa representação: a mulher como frágil e sentimental que precisa ser cuidada pelo homem forte e viril. Trazida para os BLs como indicativo do passivo (Uke) e ativo (seme). Se ver isso na forma como cada personagem se relaciona com os demais, nas roupas que usam, no gestual, no fato de ser ou não malhado, aparecer sem camisa e tal.

A História

A narrativa se inicia daquele jeito que já estamos bem acostumados em comédias românticas. O acaso. Guiados pelo destino, os protagonistas se encontram e, claro, é amor à primeira vista como é de se esperar. A partir daí algo bem corriqueiro me chamou atenção: os encontros casuais e não planejados pelos dois, ao menos quatro aconteceram. Também aqui temos a figura de Yu-Jin (Jung Ji Yeon) “a cupido”, “a amiga” que ajudar o casal a se aproximar e está sempre apostos para fazer interferências necessárias para que ambos encontrem o caminho da felicidade.

Iniciamos com uma estabilidade e quando o encontro do casal acontece se cria a instabilidade por causa da distância após o primeiro encontro e a paixão instantânea. Já que apesar do amor de Sang-I ser mais que claro, o mesmo não se dá com In-Soon, aparentemente. Dessa instabilidade até a nova estabilidade vamos percorrer aqueles caminhos comuns no universo BL sobre tudo: se aproximam por causa do trabalho, Sang-I trabalha na produtora que vai cuidar da carreira de seu amado; por questões “maiores” passam a morar juntos, um serve de apoio para que o trabalho do outro ganhe novas dimensões. Não vou detalhar os pormenores, mas daí segue o curso comum deste tipo de produção.

The End?

O filme se encerra com uma instabilidade, há uma conclusão, mas não um fechamento de toda a história. Os protagonistas estão juntos, mas durante todo o filme não houve a história deles dois como casal, teve todo o drama para que estivessem juntos, o que permite supor, ou ao menos se quiser, a continuidade da história. Se tem que lembrar também do conflito entre In-Soon e a família sobre a continuidade de sua carreira. E, mais ainda a formação de um novo grupo de amigos dispostos a apoiarem e trabalharem pelo sonho musical, agora, do casal. Bem, material se tem para próximos capítulos.

Observando questões mais técnicas, a produção é bem feita. Os diálogos são bons, não são comuns demais. As locações das cenas são lindas, tanto as internas quanto as externas. Não houve economia de câmeras para um jogo de ângulos, as cenas são bem dirigidas e o roteiro é bem amarradinho, dentro do que se propõe. E a atuação é boa. Os atores e atrizes entregam um bom produto.

Por isso eu recomendo assistir “Wish You”! Um romance leve, sem muitas complicações que te permite aproveitar um fim de tarde ou de noite e dormir ou descansar tranquilamente sem grandes preocupações depois. Você pode se apaixonar pelo casal, torcer pelos beijos, zangar-se com os desencontros e relaxar com um final mais ou menos esperado.

“Wish You” é um clichêzinho bom de ver, naquilo que eles têm de bom.

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WISH YOU: o clichêzinho de sessão da tarde

Atuação - 9.2
Direção de cena - 9.5
Locação - 10
Enredo - 7.5

9.1

Nota geral

O filme acompanha a vida de dois jovens, pelo menos mais que eu. Sang-I (Sang Lee), o introvertido, amigável, tímido e gentil; In-Soon (Kang In-Soon), descolado, desenvolto, extrovertido.

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PJhey

28 anos, gay, negro, formado em Letras - Literaturas de língua portuguesa, cursando Sociologia. Amante de livros, series, professor atuante na área.

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